Há apenas quatro clínicos para cerca de 14 mil utentes.
A população de Vieira do Minho, distrito de Braga, protestou esta segunda-feira contra a falta de médicos, sublinhando haver apenas quatro clínicos para cerca de 14 mil utentes, a maioria sem médico de família, que espera meses por uma consulta.
O que estava previsto ser uma conferência de imprensa da Comissão de Utentes da Saúde de Braga acabou por juntar cerca de três centenas de utentes num protesto ruidoso em frente ao centro de saúde local, que custou 1,7 milhões de euros e foi inaugurado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, em julho de 2024.
A comissão de utentes e a população dizem haver apenas quatro médicos para todo o concelho, dois no centro de saúde e dois nas extensões de Ruivães e de Rossas, para um universo a rondar os 14 mil utentes, que aguardam anos por médico de família, meses por uma consulta, ou têm de se levantar de madrugada para tentarem uma consulta do próprio dia, o que nem sempre se consegue.
"Queremos mais médicos para Vieira do Minho; a saúde é um direito e não um privilégio; os vieirenses merecem ser respeitados; Vieira está esquecida; a nossa voz tem de ser ouvida; iremos lutar", foram algumas das frases entoadas pelos presentes.
"As pessoas estão meses sem conseguirem uma consulta médica. Estão inscritos cerca de 14 mil utentes e médicos são apenas dois ou três, o que é insuficiente. Isto cria outro problema, que é: como as pessoas não têm aqui resposta, acabam por sobrecarregar o Hospital de Braga e as urgências", explicou aos jornalistas o porta-voz da Comissão de Utentes da Saúde de Braga.
José Lobato refere que "foi feito um grande investimento no sentido de melhorar as condições físicas do centro de saúde", mas lembra que, "sem médicos e sem profissionais", a unidade de saúde não pode funcionar, classificando a situação de "insuportável".
"Uma consulta de rotina é marcada para daqui a oito meses e há pessoas que aguardam há dois anos por médico de família. Temos um centro de saúde onde foram investidos um milhão e setecentos mil euros: temos um Ferrari, mas sem motor, sem rodas", denunciou Domingos Cerqueira, outro elemento da Comissão de Utentes da Saúde de Braga.
A comissão de utentes informou que vai reunir-se esta segunda-feira com o presidente da câmara de Braga.
No protesto esteve também o presidente da Câmara de Vieira do Minho, que assumiu preocupação face à falta de médicos e de profissionais de saúde no concelho, sublinhando que o executivo municipal "está ao lado, está solidário" com a comissão de utentes.
Filipe de Oliveira (PS) contou aos jornalistas que, logo após tomar posse para o seu primeiro mandato, em 31 de outubro de 2025, agendou uma reunião com o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, que decorreu em janeiro deste ano.
"Nessa reunião destacámos, acima de tudo, dois pontos: a ausência prolongada de três médicos ainda sem substituição, e o facto de procurarmos reforçar os meios de saúde em Vieira do Minho", adiantou o presidente do município.
Na sequência dessa reunião, "e para conhecer no terreno a realidade local e as dificuldades dos vieirenses nos serviços de saúde", o autarca convocou "todo o Conselho de Administração" da ULS de Braga para nova reunião, descentralizada, em Vieira do Minho.
"Vamos ter, na próxima semana, já uma reunião que vai decorrer na unidade de saúde de Vieira do Minho com o Conselho de Administração da ULS de Braga para que percebam as enormes dificuldades que os vieirenses estão a sentir, e procurar resolver todos estes problemas", declarou Filipe de Oliveira.
O autarca deu ainda conta de que o município "já está a assegurar 50% do serviço de atendimento complementar, que decorre de segunda a sexta-feira, das 20:00 às 00:00".
"Isto já representa um esforço do orçamento municipal em cerca de 50 mil euros. Naquilo que pudermos ajudar estaremos sempre no ativo, porque temos de ser sensíveis com os problemas que a comissão de utentes já levantou e muito bem", salientou o presidente da câmara de Vieira do Minho.
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