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Por ano há 100 casos de aplasia medular

Registam-se todos os anos em Portugal cem novos casos de aplasia medular, a mesma doença que atinge Gustavo, o menino de três anos, filho de Carlos Martins, futebolista do Benfica (emprestado aos espanhóis do Granada) e da selecção portuguesa, e que aguarda por um transplante urgente de medula óssea. <br/><br/>

20 de novembro de 2011 às 01:00

No Instituto Português de Oncologia de Lisboa há três crianças que aguardam que seja definida a solução médica de tratamento, sendo que para uma delas já foi encontrado um dador compatível, disse ao CM o director do serviço de transplantação de medula óssea do IPO Lisboa, Manuel Abecasis.

O clínico é favorável ao transplante face ao tratamento, explicando que, no recurso ao soro antilinfático, associado a ciclospurina, a doença pode ressurgir ao fim de seis meses.

A aplasia medular caracteriza-se pela falência total ou parcial da medula óssea. As consequências são gravíssimas para o organismo, podendo levar, em caso extremo, à morte. A medula óssea produz células vitais como os glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas. Os glóbulos vermelhos são importantes para o transporte de oxigénio, vital, por exemplo, para o funcionamento do cérebro. Por sua vez cabe aos glóbulos brancos combater as infecções. Já as plaquetas permitem a coagulação do sangue, que assim evita que após um corte ocorra uma hemorragia fatal.

Em Portugal, o transplante é também realizado no Hospital de Santa Maria (Lisboa) e no IPO Porto. A possibilidade de ser encontrado um dador compatível ronda os 70%. No Mundo, há 17 milhões de dadores.

CAMPANHAS PARA ENCONTRAR DADOR COMPATÍVEL

Cristiano Ronaldo colocou na sua página do Face-book dois vídeos – em português e inglês – a apelar à doação de medula para ajudar Gustavo Martins. Hoje, há recolhas em Alverca e Oliveira do Hospital.

DISCURSO DIRECTO

"RAPIDEZ NO INTERNAMENTO DETERMINA RESULTADOS", Manuel Abecasis Dir. de Transplantação IPO Lisboa

Correio da Manhã – Há factores determinantes no tratamento da aplasia medular?

Manuel Abecasis – A rapidez no internamento determina os resultados nas soluções médicas encontradas.

– Qual o tempo de recuperação após transplante?

– Após o transplante de medula óssea, o internamento dura cerca de seis semanas. Depois, a recuperação em casa prolonga-se por um período de dois anos.

– Qual a percentagem de casos em que o doente não sobrevive após um transplante de medula óssea?

– É na ordem dos dez a quin-ze por cento. No entanto, estes são casos em que os do-entes surgem no hospital já num estado muito avançado da doença.

O MEU CASO: GUSTAVO MARTINS

GUSTAVO VAI SER TRATADO EM LISBOA

Carlos Martins e Mónica Martins decidiram que o filho, Gustavo, seja tratado em Lisboa. A aplasia medular foi diagnosticada em Agosto, em Granada, e Gustavo tem sido tratado desde então em Espanha. O tratamento consiste em transfusões de plaquetas, de modo a evitar que a criança sofra hemorragias.

Contudo, os pais decidiram ouvir uma segunda opinião e, na segunda-feira, tiveram uma consulta com o director do serviço de Transplantação de Medula Óssea do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Manuel Abecasis. O clínico referiu ao Correio da Manhã que, da análise dos relatórios médicos, verificou-se que os espanhóis adoptam uma estratégia diferente de tratamento. Manuel Abecasis defende o transplante, com internamento tão rápido quanto possível, embora reconheça que o diagnóstico da doença do Gustavo Martins ainda não está fechado. O médico sugeriu o internamento no Hospital Dona Estefânia, até ser decidido se o transplante é a melhor solução.

Na quarta-feira, os pais de Gustavo lançaram um apelo à doação de medula, de modo a ser encontrado um dador para o filho. Gustavo fez três anos na quinta-feira.

HEMATOMA NO PÉ ALERTOU PAIS

Carlos Martins e a mulher, Mónica, aperceberam-se de que algo não estava bem na saúde do filho, quando, após uma pequena pancada, a criança desenvolveu um hematoma no pé. Os exames acabaram por revelar valores baixos de plaquetas.

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