Quando a cidade do Porto regista temperaturas mínimas abaixo dos três graus centígrados num período superior a 48 horas, as autoridades locais accionam um plano operacional para a vaga de frio, segundo as autoridades responsáveis.
A Câmara Municipal do Porto só actua para as vagas de frio após o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IMPA) emitir um aviso amarelo, explicou à Lusa Hortênsia Fonseca, da secção de expediente da Câmara do Porto, referindo que o objectivo do plano visa garantir a "protecção" de pessoas vulneráveis ao frio, limitando os danos físicos e sociais e contribuindo para a "inclusão social", nomeadamente dos sem-abrigo.
Trata-se de um cenário característico do inverno, com maior probabilidade de ocorrência durante o período compreendido entre Novembro e Março, acrescentou a responsável.
Neste outono, as autoridades não accionaram o plano de contingência contra o frio no Porto, mas os albergues nocturnos já colocaram em marcha "medidas mínimas de conforto para as pessoas", adiantou à Lusa Miguel Neves, director técnico do Albergue Nocturno do Porto D.ª Margarida Sousa Dias, referindo que se aumentou o nível de aquecimento nos edifícios e que se disponibilizou mais roupa quente para os utentes e para as suas camas.
Na Santa Casa da Misericórdia do Porto também se está a preparar o plano de contingência contra o frio e o provedor, António Tavares, já reuniu com o comandante da PSP para aferir quais poderão ser as necessidades da cidade.
Em declarações à Lusa, o provedor da Santa Casa, António Tavares, adiantou que este ano a instituição vai voltar a preparar a 'Casa da Rua' para alojar os sem-abrigo e fornecer uma refeição quente ou uma simples chávena de chá. O dispositivo vai ser semelhante ao de 2011.
Quem também garante no Porto a adopção de medidas excepcionais de emergência na iminência ou ocorrência de uma onda de frio é o Departamento Municipal de Protecção Civil e o Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto, que colabora no transporte da população, em particular na prestação de primeiros socorros no período nocturno, indicou o comandante dos sapadores, Manuel de Carvalho.
No 'Plano de Contingência Regional para as Temperaturas Extremas Adversas de 2011', da Administração Regional de Saúde do Norte, que tinha como objectivos minimizar os efeitos negativos do calor e do frio intensos na saúde da população, lê-se que a "exposição ao frio pode ter consequências graves para a saúde da população" e que a hipotermia e o enregelamento são consequências graves e comuns associadas à exposição ao frio.
O frio é também responsável pelo agravamento de doenças, sobretudo respiratórias e cardíacas.
Os grupos vulneráveis são os bebés, recém-nascidos, crianças e adultos com doenças crónicas (asma, bronquite, doenças cardíacas, doenças da tiróide e reumáticas) e pessoas com perturbações de memória, problemas de saúde mental, alcoolismo e demência.
O plano obriga a uma colaboração entre diferentes entidades e passa pela informação à população e aos profissionais da saúde sobre as medidas para minimizar os efeitos das temperaturas extremas sobre a saúde.
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