"Continuamos a apelar porque todo o cuidado é pouco", referiu o comandante Mário Silvestre.
Portugal continental vai continuar nas próximas horas com um quadro meteorológico adverso e com o risco de cheias nas zonas ribeirinhas e movimentos de terra, alertou, este domingo, a Proteção Civil, aconselhando a população a manter a precaução.
"Continuamos a apelar porque todo o cuidado é pouco nestas situações e, sobretudo, para as pessoas que vivem nas zonas ribeirinhas, que tomem todas as precauções necessárias para a eventual subida das águas", referiu o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Mário Silvestre.
No 'briefing' das 19h00 sobre o ponto de situação na prevenção e apoio às zonas e populações afetadas pelo mau tempo, na sede da ANEPC, em Carnaxide, Oeiras (distrito de Lisboa), Mário Silvestre referiu que ainda se sentem os efeitos da depressão Marta, com um quadro de precipitação no litoral, mais intensa na regiões Centro e Sul, e com neve nos pontos mais altos da serra da Estrela.
Mário Silvestre alertou ainda para um agravamento das condições meteorológicas na terça-feira na região Norte, sobretudo na zona do Minho e do Porto.
O risco significativo de inundações, sublinhou, mantém-se nos rios Mondego, Tejo, Sorraia e Sado, enquanto os rios Vouga, Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana continuam sob risco de cheia.
Até às 18h00 deste domingo, na sequência das depressões meteorológicas desde o final de janeiro, foram ativados nove planos distritais e 117 planos municipais e emitidas 19 declarações de situação de alerta.
O plano especial de emergência para a Bacia do Tejo mantém-se no nível vermelho, o mais elevado.
O comandante sublinhou que a precipitação é o principal fator a espoletar as cedências do terreno e alertou para que a população redobre os cuidados, como não atravessar estradas inundadas, manter-se em locais elevados, desligar eletricidade e gás, proteger equipamentos elétricos e medicamentos, e manter crianças e animais em segurança.
Também devem ser reportadas fissuras no solo, quedas de árvores ou deslizamentos e não se aproximar de cabos elétricos caídos, que podem ainda estar em carga.
Relativamente à realização de eventos, como desfiles de Carnaval, recomendou que cada município avalie os riscos antes de tomar uma decisão.
No que diz respeito às ocorrências, o comandante nacional referiu que foram registadas desde as 16:00 de 01 de fevereiro e até às 18h00 deste domingo 11.489, sendo a maioria quedas de árvores, movimentos de massa, inundações e quedas de estruturas.
Já em relação aos deslocados, a Proteção Civil contabilizou desde o dia 27 de janeiro (dia em que começou o quadro meteorológico de depressões sucessivas) 1.272.
Mário Silvestre explicou, em relação às ocorrências, que foram contabilizadas separadamente por cada depressão (Kristin, Leonardo e Marta), do ponto de vista do empenhamento operacional, mas que o número de deslocados foi contabilizado na globalidade.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também várias centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até ao dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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