Dados constam de um estudo esta terça-feira divulgado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI).
Cerca de 84% dos portugueses apoiam medidas governamentais mais rigorosas que obriguem a alterações de comportamento, representando a maior percentagem entre os cidadãos da União Europeia (UE), importando-se também com estratégias de sustentabilidade de um potencial empregador.
Os dados constam de um estudo esta terça-feira divulgado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e resultam de um inquérito realizado em agosto do ano passado relativamente ao clima e indicam que 84% dos inquiridos em Portugal são a favor de medidas governamentais mais rigorosas que obriguem as pessoas a alterar o seu comportamento, a percentagem mais alta da UE e que compara com uma média comunitária de 66%.
A média da UE sobe para 72% quando se trata de jovens até aos 30 anos.
"A guerra na Ucrânia e as suas consequências, incluindo o agravamento dos preços da energia e a inflação, aumentaram dramaticamente as preocupações com a deterioração do poder de compra em Portugal", mas, "de acordo com as respostas ao inquérito, as alterações climáticas continuam a ser um dos três principais desafios do país" e, "para muitos, o governo tem um papel a desempenhar no incentivo à mudança dos comportamentos individuais", razão pela qual "a grande maioria dos portugueses é favorável a medidas governamentais mais rigorosas que obriguem as pessoas a alterar o seu comportamento para combater as alterações climáticas", assinala o BEI em nota à imprensa.
Segundo os resultados deste inquérito, 80% dos portugueses dos 20 aos 29 anos também considera a estratégia de sustentabilidade do seu potencial futuro empregador como importante na escolha de emprego, enquanto 22% consideram-na uma prioridade máxima. A média da UE é, respetivamente, de 76% e de 22%.
Ao mesmo tempo, 90% dos inquiridos em Portugal são a favor da rotulagem de todos os alimentos para ajudar a limitar o impacto no clima e no ambiente (o que compara com uma média de 79% na UE), ao passo que 67% dos portugueses questionados afirmam que pagariam mais por alimentos mais neutros (e sem emissões poluentes) para o clima (face a uma média comunitária de 62%).
Por seu turno, 68% dos inquiridos portugueses disseram ser a favor da criação de um sistema de orçamentos de carbono a fim de limitar os consumos mais prejudiciais para o clima (comparando com média europeia de 56%).
Para os questionados em Portugal, reduzir o consumo de carne e laticínios seria outra forma eficaz de limitar as emissões de gases com efeito de estufa, já que a maioria dos portugueses (57%) disse ser favorável a uma limitação da quantidade destes alimentos que as pessoas podem comprar (em comparação com 51% na UE).
Citado pela nota à imprensa, o vice-presidente do BEI, Ricardo Mourinho Félix, observa que estes resultados "demonstram que os portugueses estão mais do que dispostos a ajudar a combater as alterações climáticas a nível individual".
O BEI financia projetos que apoiam os objetivos da UE, nomeadamente ações destinadas a atenuar as alterações climáticas.
Para este inquérito, realizado em agosto de 2022, foram inquiridas mais de 28 mil pessoas, com um painel representativo de maiores de 15 anos de cada um dos 30 países abrangidos.
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