Presidente da República e ministra da Administração Interna visitaram, esta sexta-feira à noite, Leiria.
O presidente da Câmara de Leiria alertou esta sexta-feira o Presidente da República e a ministra da Administração Interna que o nível de ansiedade das pessoas está a crescer e salientou que a situação é dramática devido ao mau tempo.
Ao falar com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, que estão na cidade de Leiria para conhecer o impacto da depressão Kristin, o presidente do município, Gonçalo Lopes, declarou que "o principal problema é a reposição de energia".
"Não há um prazo definido e o nível de ansiedade das pessoas está a crescer. Há pessoas que estão há dois dias sem tomar banho, três dias sem poder cozinhar. A situação é dramática", afirmou o autarca.
Segundo Gonçalo Lopes, o concelho tem 130 mil habitantes e a cidade foi o único sítio onde foi colocada uma "subestação móvel capaz de alimentar, para aí, 30, 40 mil pessoas".
À pergunta de Marcelo Rebelo de Sousa se não deram ao autarca um prazo para o restabelecimento de eletricidade, o presidente do município esclareceu que "a intervenção é muito mais complexa do que se possa imaginar".
"A previsibilidade exata da possibilidade de recuperação integral neste momento ainda não se tem", notou a ministra Maria Lúcia Amaral.
Marcelo Rebelo de Sousa questionou sobre o estado das comunicações telefónicas, explicando que teve "dificuldades no caminho [para Leiria], intermitências constantes", situação corroborada pela ministra, tendo o presidente do município respondido que melhoraram.
"A água sem eletricidade também não chega", adiantou Gonçalo Lopes, notando que "há um excesso de consumo na fase de arranque, que faz com que os depósitos não fiquem estáveis", um outro problema.
O Presidente da República admitiu que, face aos estragos, "projetos que estavam muito avançados voltaram à estaca zero".
"Já estamos preparados que, no nosso mandato, as prioridades vão ser alteradas", afiançou o presidente do município.
A ministra da Administração Interna referiu ainda não haver dúvida de que na declaração de estado de calamidade "pesou ter-se compreendido a dimensão das tarefas de reconstrução", com o chefe de Estado a lembrar os "projetos que é preciso relançar".
"Na primeira hora, eu pedi logo o estado de calamidade, percebi a dimensão do problema. Antes tarde do que não", acrescentou Gonçalo Lopes.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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