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Presidente da Câmara do Seixal lamenta "repentina destituição" da administração da Unidade Local de Saúde

Paulo Silva deicou ta,mbém uma palavra de solidariedade a Maria Teresa Luciano pelo trabalho enquanto presidente do hospital Garcia de Orta e agora da Unidade Local de Saúde Almada - Seixal.

05 de setembro de 2024 às 14:30

O presidente da Câmara Municipal do Seixal lamentou esta quinta-feira a "repentina destituição" do conselho de administração da Unidade Local de Saúde Almada-Seixal considerando que "tem feito um trabalho esforçado e resiliente para tentar minorar os problemas existentes".

"A Câmara Municipal do Seixal vê com surpresa esta destituição repentina da drª Maria Teresa Luciano a quem deixo uma palavra de solidariedade pelo trabalho realizado enquanto presidente do hospital Garcia de Orta e agora da Unidade Local de Saúde Almada - Seixal", disse Paulo Silva em declarações à agência Lusa.

Na opinião do autarca "nada justificaria esta destituição" uma vez que a atual administração tinha conseguido uma boa relação com os profissionais de saúde, comissões de utentes e câmaras municipais "numa postura de diálogo com todos".

Os problemas existentes, advogou Paulo Silva, devem-se a conflitos entre o Governo e os profissionais de saúde devido à falta de valorização da carreira, mas também ao facto de o Hospital Garcia de Orta atender um grande volume de população.

"Foi projetado para 200 mil pessoas e a população dos dois concelhos de Almada e Seixal é já de cerca de 350 mil pessoas pelo que é impossível esta infraestrutura conseguir responder sendo por isso cada vez mais necessária e urgente a construção do hospital do Seixal", frisou Paulo Silva.

O presidente da Câmara Municipal do Seixal disse ainda que esta mudança vai agudizar os problemas existentes e adiantou que vai pedir uma reunião à ministra da Saúde para abordar esta questão assim como a da construção do Hospital do Seixal.

A direção executiva do Serviço Nacional de Saúde decidiu na terça-feira afastar a administração da ULSAS, que integra o Hospital Garcia de Orta (Almada) e o Agrupamento de Centros de Saúde de Almada-Seixal, no distrito de Setúbal.

Teresa Luciano será substituída por Jorge Seguro Sanches, ex-governante socialista que assumiu funções de secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, de 2019 a 2022, e de secretário de Estado da Energia, de 2015 a 2018, em governos liderados por António Costa.

Na sequência da destituição de Teresa Luciano diretores de serviço do Hospital Garcia de Orta, coordenadores de centros de saúde do agrupamento Almada--Seixal, enfermeiros gestores e técnicos coordenadores subscreveram um abaixo-assinado a contestar a decisão.

Os profissionais de saúde dizem discordar da decisão de demissão do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS) e reiteram "toda a confiança na atual equipa de gestão e na continuidade dos projetos em curso".

Na sua opinião, o trabalho que tem sido desenvolvido pela equipa liderada por Teresa Luciano foi positivo, pelo que manifestam a sua solidariedade para com todos os elementos.

O documento é assinado por 36 diretores de serviço do Hospital Garcia de Orta, pelos coordenadores de 23 Unidades de Saúde Familiar, 16 enfermeiros gestores e nove técnicos coordenadores.

A demissão da administração recebeu também críticas da presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, que considerou inaceitável a forma como o processo foi conduzido.

"Fui totalmente surpreendida. Consideramos inaceitável a forma como isto é anunciado", disse Inês de Medeiros em declarações à agência Lusa, manifestando-se solidária para com a presidente destituída.

Sem pôr em causa a competência do substituto de Teresa Luciano, Inês de Medeiros considera que o procedimento não mostra respeito pelo trabalho feito, além de defender que "esta não é forma de lidar com os municípios", criticando assim o facto de os autarcas não terem sido ouvidos, tal como as equipas do hospital.

A autarca socialista realçou que a ULSAS estava num processo de reorganização, pelo que considera que "esta mudança, independentemente da qualidade da nova administração, vem criar uma perturbação enorme num processo que estava a correr bem".

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