No ano passado, a ENB realizou 1655 ações de formação que chegou a mais de 22 mil bombeiros.
O presidente da Escola Nacional de Bombeiros (ENB), Vítor Reis, garantiu esta quarta-feira que os bombeiros portugueses "estão bem preparados" para o combate aos incêndios, mas considerou que "a formação não é o único fator" para o desempenho desta missão.
"Os bombeiros estão sempre bem preparados para sua missão de combate aos incêndios, mas a formação não é único fator que vai determinar o desempenho no combate, mas naquilo no que diz respeito aos bombeiros, sim estão bem preparados", disse Vítor Reis, em declarações aos jornalistas no dia em que a ENB assinala 27 anos de existência.
A ENB, que tem como associados a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), é a autoridade pedagógica na formação técnica dos bombeiros portugueses e de outros agentes de proteção civil.
Vítor Reis destacou o aumento das ações de formação realizadas em 2021, em que a ENB teve "uma atividade excecional porque foi superior comparativamente aos cinco anos anteriores".
No ano passado, a ENB realizou 1655 ações de formação que chegou a mais de 22 mil bombeiros.
Segundo o responsável, a Escola Nacional de Bombeiros tem estado inserida no processo de evolução de formação e profissionalização do setor.
"O modelo formativo da ENB é o modelo formativo dos bombeiros e da proteção civil, mas existem riscos que agora se apresentam à intervenção dos bombeiros e à proteção civil e que devem ser colmatados com uma preparação adequada e ministrada pela escola. O modelo formativo continua permanentemente em evolução para fazer face aos novos riscos e àqueles que já conhecemos, nomeadamente aos incêndios rurais", disse.
A ENB tem centros de formação em Sintra, onde é a sede da escola, Lousã e São João da Madeira, mas mais de 80% da formação é ministrada nos corpos de bombeiros e nas unidades locais de formação.
"O modelo formativo da ENB é muito descentralizado, isto também para ir ao encontro das necessidades e das expectativas dos bombeiros. A escola acaba muito por ir aos corpos de bombeiros e apenas alguns elementos, nomeadamente oficiais bombeiros e do quadro de comando, é que acabam por fazer formação em Sintra, Lousã ou São João da Madeira", salientou.
Sobre o financiamento da escola, Vítor Reis explicou que a ENB tem um orçamento que consiste em transferências da ANEPC, mas conta também com outros instrumentos financeiros que reforçam esse orçamento, nomeadamente o acesso a programas de financiamento.
"Neste momento a escola usufruiu dessas verbas [programas de financiamento], mas no futuro temos receio que haja alguma incerteza ou imprevisão sobre se a escola continuará a ter essas verbas para ministrar formação, quer aos bombeiros, que são os principais destinatários da atividade da escola, quer também outros agentes de proteção civil", disse.
Segundo Vítor Reis, a verba prevista este ano para a ENB, cerca de oito milhões de euros, é suficiente, uma vez que a escola conta "com um grupo de formadores externos que acaba por assegurar muita da formação ministrada nos corpos de bombeiros e nas unidades locais de formação".
No centro de formação de Sintra, a ENB conta com dois "equipamentos fundamentais", designadamente o Centro de Simulação e Realidade Virtual (CSRV) e Campos de Treinos de Combate a Incêndios Urbanos e Industriais, que são vocacionados para bombeiros que integram equipas de primeira e segunda intervenção.
O CSRV destina-se à formação e aperfeiçoamento de competências de gestão de operações de resposta a situações de emergência, com exercícios de aplicação em ambiente de realidade virtual cuja complexidade técnica e risco para a segurança dos próprios operacionais não permitem a sua reprodução em ambiente real.
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