Valor base do concurso lançado em outubro de 2025 era de cerca de 418 mil euros.
O concurso lançado no ano passado para a construção de duas torres de vigilância na cadeia de Vale de Judeus ficou deserto e a Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais (DGRSP) foi obrigada a subir o valor.
Em entrevista à Lusa, o diretor-geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais, Orlando Carvalho, adiantou que "com o preço base que tinha sido definido, não apareceram interessados em executar a obra" anunciada há cerca de um ano pelo Ministério da Justiça e que faz parte de um conjunto de medidas de reforço de segurança tomadas na sequência da fuga de cinco presos da cadeia de Vale de Judeus, em setembro de 2024.
O valor base do concurso lançado em outubro de 2025 era de cerca de 418 mil euros e, depois de ficar deserto, foi feito "um novo procedimento com um acréscimo do valor".
Este segundo concurso ficou nos 495 mil euros para um prazo de execução de oito meses e o prazo para candidaturas terminou na quarta-feira, mas ainda não é conhecido se teve ou não interessados.
A fuga da prisão de Vale de Judeus marcou o início de uma discussão sobre a segurança no sistema prisional e provocou várias mudanças.
No caso da cadeia de Vale de Judeus, o sistema de videovigilância, com deteção de movimentos, foi reforçado, sublinhou Orlando Carvalho, e foi feito um novo plano de vigilância humana, com "redefinição dos postos de vigilância e do próprio funcionamento dos serviços".
Outra das medidas tomadas na sequência da fuga de setembro de 2024 foi a instalação de inibidores de sinal, cujo projeto-piloto terá lugar precisamente na prisão de Vale de Judeus.
A instalação está em curso, tinha sido apontada a sua conclusão para o final de fevereiro, mas o diretor-geral das prisões sublinhou agora que os trabalhos estão atrasados: "Podem sempre acontecer vicissitudes, como aconteceu neste momento em que ainda vivemos, a questão do temporal, que atrasou necessariamente os trabalhos".
"Mas [a instalação] está em execução e penso que a breve trecho estarão em funcionamento", acrescentou.
Sobre os inibidores, Orlando Carvalho explicou que os telemóveis e os drones deixam de ter sinal, ficando os serviços da prisão com acesso a telefone fixo, ao Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) e ao sistema de rádio.
Além disso, o "sistema [dos inibidores] pode ser ligado ou desligado em caso de necessidade. Portanto, é sempre operado dentro do estabelecimento prisional ou no centro nacional", acrescentou.
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