Esta é uma semana de negociações mas é também, uma semana "de luta e de luto".
Cerca de 50 professores concentraram-se esta quarta-feira em frente à secundária Morgado Mateus, em Vila Real, para mostrar que a luta continua e reclamar uma negociação que beneficie os educadores e a escola pública.
Sindicatos de professores e Ministério da Educação retomam, em Lisboa, negociações sobre um novo modelo de recrutamento e colocação de docentes.
Esta é uma semana de negociações mas é também, segundo afirmou à agência Lusa o dirigente do Sindicato dos Professores do Norte, Alexandre Fraguito, afeto à Federação Nacional dos Professores (Fenprof), uma semana "de luta e de luto".
"A mensagem que queremos passar é de que estamos atentos, estamos firmes e estamos cheios de força e de vitalidade para conseguirmos que seja uma negociação em prol e que favoreça os professores e os educadores e a escola pública", salientou.
A quinta ronda negocial sobre um novo modelo de recrutamento e colocação de professores que tem levado a forte contestação nas escolas desde o final do ano passado, com a realização de greves, protestos e várias manifestações nacionais, decorrerá esta quarta e sexta-feira.
Nestes dois dias de negociação os professores regressam com protestos à porta das suas escolas.
Foi o que aconteceu esta manhã, em Vila Real, com os docentes a concentrarem-se em frente à escola sede do Agrupamento Morgado Mateus para mostrar que "não baixaram os braços".
Alexandre Fraguito acrescentou que as concentrações desta quarta-feira, que se repetiram em vários distritos do país, servem também "de alento para os elementos dos sindicatos que estão nas negociações.
"Agora já temos um anteprojeto, é algo muito mais claro, com uma linha condutora, que a gente percebe melhor quais as intenções do Ministério da Educação. Vamos aguardar pela reunião de hoje [quarta-feira] e ver qual o 'feedback'", referiu.
Quanto ao diploma de concurso, Alexandre Fraguito disse que este "põe, pela primeira vez, em causa a estabilidade de todos os professores, alguns que já estão no quadro de escola há muito tempo e que, em certas situações, é penalizador para os professores contratados".
"Tem detalhes que é preciso ver com muita atenção. Mas estas reuniões são só para o anteprojeto de concurso e, por isso, nós estamos um bocadinho renitentes com a vontade do Ministério em abordar os outros assuntos que também nos interessa, muito, mas nós estamos aqui firmes", frisou.
Segundo Alexandre Fraguito o que está em cima da mesa das negociações cria "alguma frustração entre os professores, porque as reivindicações apontadas nas várias iniciativas que têm decorrido nos últimos meses estão também relacionadas com as questões da aposentação, da recuperação do tempo de serviço, das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões".
"E isso não está, agora, em cima da mesa e, claro, deixa sempre os professores um pouco desconfiados", frisou.
Além da questão do recrutamento e colocações, os sindicatos exigem que a tutela avance com uma calendarização de processos negociais de outras matérias, como a recuperação do tempo de serviço congelado ou a eliminação das vagas e quotas.
Os sindicatos também criticaram a posição da tutela por anunciar que esta será a última ronda negocial sobre o novo modelo de colocação e recrutamento.
Na última ronda negocial foram convocados os 12 sindicatos para negociar em mesa única, tal como será novamente esta semana.
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