Profissionais queixam-se da falta de respostas em relação a condições contratuais.
Dez dos 19 professores das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no Agrupamento da Zona Urbana da Figueira da Foz anunciaram ao início da manhã que não vão ministrar aulas esta sexta-feira por não estarem ainda esclarecidas condições contratuais.
Numa comunicação a que a agência Lusa teve acesso, os técnicos queixam-se da falta de respostas e de estarem a ser ignorados por parte da empresa contratante e do município, crítica rejeitada por estas duas entidades.
Os professores contratados denunciam que estão a trabalhar sem contrato de trabalho e que as várias minutas (quatro) apresentadas não refletem as condições acordadas numa reunião realizada em 3 de outubro, dia seguinte a uma paralisação durante a tarde.
Segundo a informação enviada ao Agrupamento de Escolas da Zona Urbana da Figueira da Foz, ã partir de segunda-feira os técnicos não vão comparecer às aulas, até que a sua situação contratual seja clarificada.
Em declarações à agência Lusa, a presidente da contratante Associação Tempos Brilhantes, que ganhou o concurso lançado pela Câmara da Figueira da Foz, lamentou a intransigência dos professores, garantindo que está a ser elaborada uma minuta final com alguns ajustes.
"Podemos ceder em duas ou três situações, mas não podemos ceder em todas as questões solicitadas. A nossa minuta de contrato é nacional e aqui na Figueira da Foz estamos a fazer uma exceção, que é ajustá-la ao pedido daqueles professores e depois aplicá-la em todo o concelho, onde temos mais contratados noutros agrupamentos", explicou Elisabete Eufémia.
"Queremos conversar com cada professor, se querem ou não ficar e assinar contrato. Portanto, se estes técnicos, que são prestadores de serviço, não quiserem continuar, com certeza que colocaremos outros profissionais na segunda-feira", garantiu a dirigente.
Salientando que ninguém é obrigado a aceitar as condições, a presidente da Associação Tempos Brilhantes referiu que os técnicos só depois de terem começado a trabalhar é que começaram a levantar questões e a querer fazer alterações, inclusivamente no valor por hora.
"Nós cedemos a tudo, mas também chegamos a uma altura que é preciso haver uma decisão do lado dos professores. Se realmente não se reveem nem querem estar a assinar um contrato porque querem continuar à margem destas questões mais legais - que é um direito que lhes assiste - não é com esta organização", sublinhou.
Também a vereadora da autarquia com o pelouro da Educação, Olga Brás, lamentou a situação e mostrou-se "muito preocupada" com o facto de quase um milhar de crianças poder ser afetada.
À agência Lusa, a autarca disse que tem dado resposta a todas as mensagens enviadas por correio eletrónico e que as questões por esclarecer são entre os professores e a contratante Associação Tempos Brilhantes, embora o município já tenha sido mediador na reunião realizada em 03 de outubro.
O Agrupamento da Zona Urbana da Figueira da Foz é frequentado por 974 alunos, distribuídos por 43 turmas em cinco estabelecimentos de ensino do 1.º ciclo, nos quais as AEC são ministradas ao longo de todo o horário escolar diário.
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