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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Programa social contribuiu com 13 milhões de euros para apoiar compra de medicamentos

Inquérito indicou que 97,1% dos beneficiários registaram uma mudança positiva na vida familiar após a integração neste programa social.

26 de maio de 2026 às 15:13

O Programa abem: Rede Social do Medicamento contribuiu com cerca de 13 milhões de euros, em 10 anos, para apoiar pessoas vulneráveis no acesso a medicação, de acordo com dados esta terça-feira divulgados pela Associação Dignitude.

Desde que foi criada, em 2016, a iniciativa chegou a 46.300 beneficiários, ao contribuir para a dispensa de 3,6 milhões de embalagens de medicamentos através de uma rede composta por 1.281 farmácias e 206 entidades referenciadoras, distribuídas por 176 concelhos em todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, segundo a mesma fonte.

De acordo com um estudo divulgado por ocasião do 10.º aniversário do programa, 87,8% dos beneficiários passou a conseguir comprar os medicamentos prescritos com maior regularidade, enquanto 66,5% referiu ter maior capacidade para suportar outras despesas essenciais.

"Além disso, 75,9% indicaram ter reduzido a necessidade de pedir dinheiro emprestado ou ajuda para adquirir medicamentos", sublinhou a organização, em comunicado.

O inquérito indicou que 97,1% dos beneficiários registaram uma mudança positiva na vida familiar após a integração neste programa social.

"Estes dados sugerem que, ao eliminar o dilema financeiro entre a saúde e o sustento do lar, o programa reduz a ansiedade financeira e o estigma da carência, promovendo um ambiente doméstico mais favorável à estabilidade clínica e ao bem-estar coletivo", observaram os autores do trabalho.

A estimativa é que por cada euro investido tenha sido gerado um retorno potencial de 3,0 a 3,3 euros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para a Segurança Social.

"Estima-se ainda uma poupança potencial entre 10,47 milhões e 11,35 milhões de euros para o SNS ao longo dos dez anos do programa, resultado associado à redução de episódios de urgência, internamentos, consultas hospitalares e outros cuidados de saúde", de acordo com os dados apresentados no estudo.

Foram igualmente aferidos "impactos positivos" na diminuição da dor e níveis de ansiedade, e na melhoria da mobilidade, autonomia e qualidade de vida familiar dos beneficiários.

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