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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Promotores de espetáculos apontam preocupações do setor em reunião com Presidente da República

Até agora, continuam ainda marcados vários festivais, nomeadamente o festival Sudoeste (Odemira), em agosto.

22 de junho de 2021 às 22:15

O Presidente da República reuniu-se hoje com representantes das associações e promotores de espetáculos, que expressaram as dificuldades que o setor atravessa, devido à pandemia de covid-19, como a obrigatoriedade de testagem para a realização de eventos.

"Estivemos em Belém uma hora e um quarto com o Presidente da República [Marcelo Rebelo de Sousa], que nos ouviu atentamente, percebeu as nossas dificuldades e assumiu o compromisso de falar com o Governo sobre estas questões", adiantou à Lusa a responsável da Associação Espetáculo, Rafaela Ribas.

Uma nova reunião, para daqui a duas semanas, ficou novamente agendada com o chefe de Estado para ser feito "o ponto da situação", acrescentou.

Rafaela Ribas apontou ainda a "resposta foi quase imediata" por parte do Presidente da República, após o pedido de reunião com caráter de urgência, lamentando que o mesmo não tenha sido conseguido "após o pedido de reunião" ao primeiro-ministro, António Costa.

As associações de festivais e espetáculos destacam como dificuldades a obrigatoriedade de realização de testes à covid-19 e a "indefinição do que é necessário para realizar eventos" e esperam que no próximo Conselho de Ministros estas regras sejam revistas.

"Esta imposição foi-nos colocada sem que se saibam os resultados dos eventos-piloto e sem que se saiba de qualquer tipo de surto em eventos. Estamos a ficar com as regras agravadas embora os nossos resultados tenham sido sempre ótimos em todos os eventos que aconteceram no último ano", salientou.

A responsável da Associação Espetáculo vincou que a 'luta' tem como objetivo "tentar trabalhar" e apelou ao fim de "dificuldades infundadas e discriminatórias face a outros setores".

Também Álvaro Covões, da Associação de Promotores de Espectáculos, Festivais e Eventos (APEFE), explicou à Lusa que foram transmitidas na reunião com o Presidente da República "as preocupações de um setor que há 16 meses tem a larga maioria dos profissionais e empresas sem um dia de trabalho".

"Face à situação que estamos a viver, criou-se uma ilusão que a cultura trabalha porque há alguns espetáculos em sala, mas é uma ínfima parte", salientou.

Álvaro Covões referiu ainda que a obrigatoriedade de testagem "é discriminatória" ao não ser aplicada em outros setores e "inibidor para quem vai a um espetáculo".

Além da Associação Espetáculo e a APEFE, marcaram presença na reunião com o Presidente da República o responsável da Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos (APSTE), Pedro Magalhães, e da Associação Portuguesa de Festivais de Música (Aporfest), Ricardo Bramão.

Na semana passada foi conhecida a norma da Direção Geral da Saúde (DGS), que especifica o número de participantes em eventos familiares, culturais e desportivos, a partir dos quais devem ser realizados testes de diagnóstico à covid-19, sendo em eventos familiares com mais de 10 pessoas, e em eventos culturais e desportivos, com mais de mil espectadores, em ambiente aberto, "ou superior a 500, em ambiente fechado".

A Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos vai manifestar-se em 30 de junho, em Lisboa, devido às "medidas inexplicáveis" do Governo para o setor, nomeadamente a obrigatoriedade de realização de testes à covid-19 nos eventos culturais.

O festival Paredes de Coura, que deveria acontecer em agosto naquela localidade, foi adiado para 2022, devido a "todas as incertezas e constantes alterações nos procedimentos do regresso dos espetáculos ao vivo", anunciou hoje a organização.

Por causa das restrições para limitar a propagação da covid-19, pela situação pandémica noutros países, pelos diferenciados ritmos de vacinação e pela falta de clarificação das regras de realização deste tipo de eventos, este ano foram já adiados vários festivais de música, entre os quais o ID No Limits e o CoolJazz (ambos em Cascais), o Alive (Oeiras), o Rock in Rio Lisboa, o Super Bock Super Rock (Sesimbra), o Bons Sons (Tomar), o Primavera Sound (Porto), o Boom Festival (Idanha-a-Nova), o Barroselas Metalfest, o Músicas do Mundo de Sines, o Gouveia Art Rock, o Rolling Loud (Portimão), o Summer Fest (Ericeira, Mafra), o Amplifest (Porto), o Lisb-ON (Lisboa) e o Vilar de Mouros (Caminha).

Até agora, continuam ainda marcados vários festivais, nomeadamente o festival Sudoeste (Odemira), em agosto.

 

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