Centro comercial precisa de um investimento de seis milhões de euros para que sejam asseguradas todas as condições de segurança.
Os proprietários da maioria das frações do Centro Comercial Stop (CC Stop), no Porto, "não se reveem" no projeto de licenciamento a tramitar na câmara municipal, segundo uma carta aberta a que a Lusa teve acesso.
Os proprietários "não se reveem no projeto que tem sido mencionado publicamente pelo executivo da Câmara", pode ler-se numa carta aberta redigida pelos proprietários na quinta-feira, após uma reunião de donos de espaços que representam 57,4% do total capital investido.
Segundo a missiva, "é intenção da maioria dos proprietários do CC Stop desenvolver diligências no sentido do processo de regularização das condições de salubridade e segurança do CC STOP, junto da CM do Porto, e demais entidades competentes, seja claro e fundamentado na legalidade".
O processo deve também ser assente "na forma, objeto e estimativa de custos, à realidade do uso atual do CC STOP no sentido da manutenção da utilização atual no âmbito de comércio e serviços, estúdios de música, salas de ensaio, ensino de música e espaços artísticos, bem como outras áreas comerciais de apoio", segundo os proprietários.
Estas deliberações foram remetidas ao presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira (independente), por carta registada.
Os proprietários decidiram também enviar uma carta ao administrador do condomínio do Stop, Ferreira da Silva, para que seja convocada uma Assembleia Geral de condóminos no dia 31 de agosto às 14:00, para "verificação e votação das contas do Condomínio CC STOP, relativas ao ano 2022".
Os proprietários querem ainda que conste "de forma detalhada" um balanço da conta-corrente de 2022, "referente a entradas, saídas de movimentos financeiros e respetiva conciliação bancária".
A reunião visa ainda a "eleição da mesa da Assembleia Geral nos termos do art.º 23, dos estatutos para presente ano 2023".
Os proprietários dizem ainda que o administrador de condomínio teve conhecimento da reunião, fazendo-se representar pelo funcionário Carlos Freire no final da mesma.
"Foi dado conhecimento desta carta aberta, e das ações futuras, aos representantes das Associações de Músicos Alma Stop e Associação Cultural de Músicos do Stop (ACM), que se disponibilizaram para estar presentes após o final desta reunião", referem ainda os proprietários.
Segundo o administrador do condomínio do Stop, o centro comercial precisa de um investimento de seis milhões de euros para que sejam asseguradas todas as condições de segurança para a continuação da comunidade musical no edifício, disse em 24 de julho Ferreira da Silva.
Segundo o administrador, o processo de licenciamento em curso é do condomínio, e este possui um orçamento de cerca de 190 mil euros (segundo um documento de 2019), tendo Ferreira da Silva precisado que a verba "serve apenas para pagar as despesas".
O Centro Comercial Stop, que funciona há mais de 20 anos como espaço cultural e diversas frações dos seus pisos são usadas como salas de ensaio ou estúdios por vários artistas, reabriu na sexta-feira, depois de a maioria das lojas ter sido selada em 18 de julho, deixando quase 500 artistas e lojistas sem ter "para onde ir".
No local está em permanência um corpo do Regimento de Sapadores Bombeiros do Porto, com um carro à porta, tendo os cinco elementos efetuado uma vistoria de reconhecimento ao espaço, uma solução de caráter temporário.
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