Concentração decorreu frente à sede da representação da Comissão Europeia em Lisboa.
A libertação imediata dos ativistas angolanos detidos voltou a ser o mote de uma nova concentração que esta quarta-feira decorreu frente à sede da representação da Comissão Europeia em Lisboa, e que incluiu uma simbólica representação teatral.
No largo Jean Monnet, cartazes amarelos da Amnistia Internacional (AI) com as frases "Direitos humanos em Angola, já!" e "Liberdade de expressão em Angola" iam sendo distribuídos, após a ONG ter de novo decidido comparecer na iniciativa convocada pela plataforma Liberdade aos Ativistas Presos em Angola (LAPA), à qual também se juntou a SOS Racismo.
"As iniciativas baseiam-se sempre no mesmo, no pedido de libertação dos presos políticos em Angola, sem penas suspensas, sem prisão domiciliária, sem meias tintas", disse à Lusa Pedro Coquenão, após instalar uma pequena aparelhagem de som e colocar o microfone "à disposição de quem quiser falar".
"Houve uma condenação, estamos à espera do que se vai seguir, espera-se um recurso e um apelo e que dê o resultado que estamos a pedir, enquanto isso não acontecer vamos continuar", adiantou o membro da LAPA.
Entre os presentes, outro ativista distribuía panfletos que alertavam para o estado de saúde de Nuno Dala, um dos ativistas detidos e em greve de fome há 35 dias. Ao microfone, Pedro Coquenão esclareceu que "são falsas, pelo menos até agora" as informações que referiam o fim deste protesto.
"Com greve de fome, sem greve de fome, o pedido será sempre o mesmo, a libertação dos presos políticos. É nisso que estamos focados. Por enquanto estamos a viver mais uma greve de fome dramática, do Nuno Dala, que caso se concretize hoje perfaz 35 dias, sem final ainda confirmado", assinalou.
"E há estados de saúde obviamente frágeis de outros presos, nomeadamente o Nito Alves. Drama não falta, para além da questão básica de ausência de liberdade e de justiça", adiantou.
Máscaras improvisadas com as faces dos alguns dos ativistas foi outro gesto de solidariedade protagonizado por alguns dos participantes, enquanto um grupo de jovens atores iniciava uma pequena representação, junto a uma faixa com as cores da bandeira angolana e a frase "Liberdade aos presos políticos".
Os seis atores, protegidos por um colorido pano africano, foram emitindo frases soltas, de indignação, revolta, esperança.
"Aderimos a esta iniciativa devido a esta situação de falta de liberdade, de falta de respeito pelos direitos humanos. Nem sequer deveriam ter sido julgados e presos", referiu à Lusa Filipa Duarte, que integra este grupo Teatro e Comunidade, e ainda a companhia de teatro Retratos Reais.
"É um teatro de intervenção, teatro de rua. Há uma mudança social, temos de fazer uma leitura do social, com o que está a acontecer à nossa volta. É um teatro de intervenção, da estética do oprimido, que faz com que se sintam emoções mas se tomem decisões que provoquem um pensamento crítico, mas onde também as pessoas ajam e se envolvam", acrescentou, numa referência ao projeto cultural.
No final da "performance", dezenas de pessoas gritaram "Liberdade, Já". Depois, algumas aproximaram-se do microfone para lançarem frases de protesto.
De seguida, estabelece-se uma ligação telefónica com Angola, com o 'rapper' Carbono a exigir desde Luanda a libertação dos detidos.
"Isto não tem a ver com política, tem a ver com vida", alguém assinalou.
Um tribunal de Luanda condenou em 28 de março a penas entre dois anos e três meses e oito anos e seis meses de prisão efetiva os 17 ativistas angolanos julgados por coautoria de atos preparatórios para uma rebelião.
Os ativistas, que estavam a ser julgados desde 16 de novembro, foram igualmente condenados por associação criminosa pelo tribunal.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.