Estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher.
Quase 60% das mulheres trabalhadoras em Portugal recebia uma remuneração base até 1.000 euros brutos em novembro de 2025, sendo que destas uma em cada cinco ganhava o salário mínimo nacional, conclui um estudo elaborado pela CGTP.
"Em Portugal mais de metade dos trabalhadores (55,9%) recebia, no máximo, 1.000 euros de salário base bruto em novembro de 2025", indica o estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher.
Com base nos dados do Instituto da Segurança Social, a CGTP assinala, que, em novembro de 2025 a força de trabalho feminina era composta por 2.043.911 mulheres, das quais 58,7% recebia uma remuneração base até 1.000 euros brutos por mês. Ou seja, quase seis em cada dez.
Destas, "411 milhares auferiam apenas o salário mínimo nacional, no valor de 870 euros, representando 20,5% do total, ou seja, uma em cada cinco trabalhadoras", acrescenta a central sindical.
Por sua vez, a percentagem de homens a ganhar até 1.000 euros brutos era menor (53,5% do total de 2.402.412 trabalhadores homens), segundo a análise feita com base nas declarações de remunerações à Segurança Social.
"No total, 80% das trabalhadoras recebiam no máximo 1.500 euros de salário base bruto [em novembro de 2025], ou seja, quatro em cada cinco trabalhadoras", aponta ainda a CGTP.
Segundo o documento, o rendimento médio salarial líquido das mulheres era de 1.214 euros por mês no quarto trimestre de 2025, 14,4% inferior ao dos homens (menos 205 euros), que se situava em 1.419 euros.
Esta discrepância é mais evidente nas trabalhadoras com vínculos de trabalho precários, que recebem, "média, menos 20% que as trabalhadoras com vínculo permanente no caso dos contratos com termo e menos 33% no caso do falso trabalho independente", realça a CGTP com base nos dados do INE.
"Este diferencial agrava-se nas qualificações mais elevadas", aponta a CGTP, sublinhando que "existe uma diferença de 12% no salário base bruto em desfavor das mulheres -- diminuindo ligeiramente em relação ao ano anterior - o que em valores absolutos corresponde a menos 166,5 euros mensais, e de 14,6% nos ganhos, num total de menos 248 euros recebidos pelas mulheres todos os meses".
No que respeita aos quadros superiores, a "diferença é de 729 euros no salário base (um diferencial de 25,4%, que melhorou apenas ligeiramente face ao ano anterior)", enquanto nos quadros médios "é de 15,6% (306 euros), tendo aumentando face a 2023, e de 14,3% entre os profissionais altamente qualificados (218 euros), melhorando ligeiramente face a 2023", acrescenta a CGTP, com base nos dados dos quadros de pessoal de 2024, do GEP/MTSSS.
Quanto aos trabalhadores não qualificados, "o diferencial é de apenas 3,8% (..) devido à existência do salário mínimo nacional".
A análise da CGTP concluiu ainda que este padrão se repete quando se analisam os ganhos, ainda que "com percentagens e valores ligeiramente superiores".
Assim, "o diferencial aumenta mais entre os trabalhadores não qualificados, provavelmente por via do trabalho extraordinário que é realizado mais frequentemente por trabalhadores do sexo masculino", acrescenta, sublinhando que os baixos salários "praticados de forma generalizada" em Portugal "não permitem fazer face às despesas crescentes com que as trabalhadoras e as suas famílias têm que suportar, nomeadamente com bens essenciais e habitação, despesas a que não conseguem fugir ou diminuir".
Segundo dados do INE, em 2025 "cerca de 140 mil trabalhadoras tinham uma segunda atividade profissional, correspondendo a 5,4% do total do emprego feminino" e "uma em cada dez trabalhadoras é pobre", sendo que, para a CGTP, este número seria o dobro se não existissem transferências sociais.
A CGTP realiza a semana da igualdade entre 02 e 08 de março com o lema "A Igualdade que Abril abriu. Reforçar Direitos. Cumprir a Constituição", com iniciativas no país.
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