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Quinze aviões reabastecedores norte-americanos continuam estacionados na Base das Lajes

Há cerca de uma semana que a base assiste a uma maior movimentação de aeronaves norte-americanas.

25 de fevereiro de 2026 às 13:49

Quinze aviões reabastecedores KC-46 Pegasus da Força Aérea norte-americana continuam estacionados na Base das Lajes, na ilha Terceira, segundo constatou a Lusa no local.

Há cerca de uma semana que a base, situada na ilha Terceira, nos Açores, assiste a uma maior movimentação de aeronaves norte-americanas.

Esta quarta-feira de manhã, para além dos 15 reabastecedores, estacionados na mesma posição há quase uma semana, havia apenas na pista uma aeronave C-130 da US Navy.

Utilizado habitualmente para transporte de tropas e carga, o C-130 norte-americano, que aterrou na terça-feira à noite nas Lajes, levantou voo, por volta das 10:20 (11:20 em Lisboa), em direção à base naval de Rota, em Espanha.

Para além desta aeronave, no aeroporto, que tem utilização civil e militar, só aterraram e levantaram voo aviões comerciais da SATA e da TAP.

Numa pacata manhã de sol na ilha Terceira, alguns curiosos registaram a partida do C-130 com telemóveis, do outro lado da vedação, mas não havia muito movimento à volta da infraestrutura.

Na pista, viam-se alguns militares junto aos reabastecedores, mas sem sinais evidentes de que algum estivesse pronto a levantar voo.

Na quarta-feira à tarde estavam estacionados nas Lajes 11 reabastecedores KC-46 Pegasus, 12 caças F-16 Viper e um cargueiro militar C-17 Globemaster III.

No final da semana chegaram os restantes reabastecedores, mas entretanto partiram os caças e o cargueiro.

Na sexta-feira, a base recebeu o cargueiro C-5M Super Galaxy, o maior avião de transporte estratégico da Força Aérea dos Estados Unidos, que levantou voo no dia seguinte.

Desde então que permanecem na Base das Lajes apenas os 15 reabastecedores.

Na terça-feira, passou também pela infraestrutura um P-8 Poseidon, aeronave militar desenvolvida para a Marinha dos Estados Unidos, projetada para a guerra antissubmarino, mas que aterrou e levantou voo no mesmo dia.

Contactada há cerca de uma semana pela Lusa, a Força Aérea norte-americana continua sem prestar declarações.

Na quarta-feira, numa breve mensagem escrita, em resposta à Lusa, o Departamento de Estado e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos disseram apenas que "o Comando Europeu dos EUA recebe regularmente aeronaves e pessoal militar dos EUA em trânsito, de acordo com os acordos de acesso, base e sobrevoo celebrados com aliados e parceiros".

"Tendo em conta a segurança operacional dos bens e do pessoal dos EUA, não é possível divulgar mais detalhes neste momento", acrescentaram.

Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros admitiu que os Estados Unidos podem usar a Base das Lajes para uma operação militar contra o Irão sem avisar Portugal, mas ressalvou que o Governo defende a via da paz.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), em Bruxelas, Paulo Rangel foi questionado se Portugal autorizou formalmente a utilização da Base das Lajes no contexto de uma eventual ação militar dos Estados Unidos contra o Irão.

Na resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros salientou que "o uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos tem sido feito exclusivamente, e como tem de ser, de acordo com o tratado que existe entre os dois países".

"É apenas relativo ao sobrevoo, estacionamento, eventualmente à escala de aeronaves e essa tem sido autorizada nos termos gerais do acordo", afirmou, recordando que esse acordo prevê "autorizações tácitas, que são dadas com um prazo relativamente curso".

Rangel admitiu que, nas últimas semanas, o recurso a essas autorizações tácitas tem sido "maior do que tem sido habitual", mas salientou que isso já aconteceu "mais do que uma vez" desde que assumiu o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, em abril de 2024.

"Não há nenhum quadro que não seja o quadro geral. E, portanto, qualquer outra operação, essa não tem de ser nem autorizada, nem conhecida, nem comunicada por Portugal. Nunca foi e não era agora que ia ser", afirmou.

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