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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Rapazes imigrantes de famílias mais abastadas em maior risco de 'bullying'

Rapazes sofrem mais 'bullying' do que as raparigas e imigrantes estão mais expostos do que os nativos.

13 de fevereiro de 2026 às 18:11

Os rapazes imigrantes e de famílias mais abastadas representam o grupo de alunos em maior risco de sofrer 'bullying', segundo um estudo internacional divulgado esta sexta-feira pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).

O relatório "Bullying na Educação: Prevalência, impacto e respostas em diferentes países" mostra que existe um padrão de vítima nas escolas dos países da OCDE: São os rapazes imigrantes de famílias mais favorecidas.

Os investigadores começaram por confirmar que os rapazes sofrem mais 'bullying' do que as raparigas e que os imigrantes ou com antecedentes de imigração estão mais expostos do que os nativos.

A situação é ainda mais grave quando esses rapazes são de famílias mais favorecidas, acrescenta o relatório.

Os investigadores acreditam que uma das razões para este fenómeno possa estar relacionada com o facto de as crianças de famílias mais abastadas terem maior facilidade em detetar e denunciar os casos, quando comparados com os colegas mais pobres.

Já a relação entre serem imigrantes e de meios mais favorecidos poderá justificar-se com o facto de desafiarem os estereótipos predominantes que associam os imigrantes à pobreza e ao baixo desempenho académico.

Para justificar esta teoria, o relatório cita um estudo publicado nos Estados Unidos que veio mostrar precisamente que os estudantes afro-americanos e latino-americanos de famílias mais ricas tinham mais probabilidade de sofrer 'bullying' do que os seus colegas desfavorecidas, porque quebravam a imagem étnico-racial associada à pobreza.

Mas existem outros fatores que parecem ser de risco, como ser-se fisicamente diferente, ter uma deficiência, uma orientação sexual distinta, ou seja, pertencer a um grupo minoritário.

A escola que frequentam também pode ter influência, já que quanto mais diferente um aluno for socioeconomicamente dos seus colegas, maior será o risco de sofrer 'bullying', alertam os especialistas.

O estudo mostra ainda que a maioria dos estudantes já se viu confrontada com situações que podem ser assimiladas como 'bullying' escolar, mas apenas uma minoria com factos com consequências graves.

Na luta e deteção do 'bullying' escolar é essencial o ambiente familiar, diz a OCDE, lembrando que também é importante ter amigos, sentir-se aceite pelos colegas e estar integrado em grupos que se protejam.

Os autores reconhecem a complexidade de detetar e combater este crime, defendendo que são precisas medidas nacionais mas também boas práticas dentro de casa.

O relatório refere algumas das medida implementadas em Portugal, como o "cursos online sobre 'bullying' destinados aos profissionais da educação", assim como "formação específica como parte do seu plano nacional Escola Sem Bullying | Escola Sem Violência".

Os especialistas lembram também que o Ministério de Educação português criou uma plataforma com recursos que podem ser usados para o desenvolvimento profissional assim como um curso "para formar formadores informados em centros de formação de professores".

A OCDE mostra ainda que depois de um período em que a intensidade média do 'bullying' diminuiu, entre 2018 e 2022, os casos voltaram a subir em 2022.

Para os investigadores, aquela diminuição deverá estar relacionada com a pandemia da Covid-19, que obrigou ao isolamento e ao encerramento das escolas.

Neste panorama mundial, a Coreia e o Japão destacam-se pela positiva, como dois países onde a intensidade do 'bullying' esteve sempre a diminuir entre 2015 e 2022. Por outro lado, a Dinamarca destaca-se pela negativa, pois o seu índice de intensidade de 'bullying' aumentou ligeiramente entre 2018 e 2022 (+1,12%), contrariando a tendência mundial registada nesse período.

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