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Região de Leiria recebe camiões de material de construção mas precisa de utensílios

Presidente da CIM da Região de Leiria afirma que necessitam de carros de mão, pás, luvas e outros utensílios.

04 de fevereiro de 2026 às 14:00

A região de Leiria tem recebido camiões carregados de materiais de construção, que serão distribuídos pelos concelhos, mas continua a precisar, principalmente, de utensílios de trabalho, disse esta quarta-feira à agência Lusa o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM).

"Continuamos a precisar, naturalmente, de materiais de construção. Neste momento o que estamos a responder às empresas que nos contactam é que precisamos de lonas, telhas, mas também carros de mão, pás, luvas, tudo o que são utensílios necessários para a reconstrução, sobretudo as pequenas, e aquelas que são provisórias, para evitar que a degradação continue a acontecer", especificou o presidente da CIM da Região de Leiria, Jorge Vala.

O autarca apelou ainda a "um reforço na resposta em alguns destes materiais, porque estão a ser distribuídos pelos 10 concelhos da Região" de Leiria, apesar de, "felizmente estar a chegar muito material" de construção.

"Posso dizer que chegaram cerca de 20 semirreboques de materiais de construção da região do Alentejo Central, ainda esta quarta-feira de manhã estavam a chegar dois camiões de Mortágua", distrito de Viseu, enalteceu.

Jorge Vala, que também preside a Câmara Municipal de Porto de Mós, adiantou à agência Lusa que "os materiais de construção estão a ser distribuídos pelos 10 concelhos, mediante as necessidades" de cada um.

A CIM da Região de Leiria é composta pelos Municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

"Sabemos que há concelhos que recebem diretamente, dádivas de pessoas que estão fora da região e querem colaborar, mas estamos a coordenar da melhor forma possível", acrescentou.

Jorge Vala vincou a "enorme gratidão" que os autarcas da Região de Leiria sentem "pela onda de solidariedade tem existido, pela resposta muito forte de todo o país, que é bem revelador do que é o povo e a nação" de Portugal.

"Também no que diz respeito à mão-de-obra, tem havido muita, porque está a acontecer uma onda de solidariedade muito grande, com empresas de norte a sul do país a disponibilizarem profissionais e sabemos que temos grandes empresas que estão connosco e vão permanecer para ajudar a dar resposta às necessidades", realçou.

O Exército e os Sapadores também "estão no terreno, com a ajuda de voluntários, num trabalho muito importante como é a limpeza de vias, terrenos e outros espaços necessários" para a normalização do dia-a-dia.

"Agora o nosso trabalho está na gestão de recursos e materiais, com um modelo de organização para que as coisas funcionem e também para que as pessoas que têm vontade de ajudar o possam fazer de forma efetiva", conclui Jorge Vala.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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