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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Satélites vigiam florestas da Região de Coimbra para evitar fogos

Municípios receberão mapas trimestrais com alterações na cobertura florestal, áreas ardidas e progresso da recuperação.

01 de abril de 2026 às 09:48

A empresa EOS Data Analytics (EOSDA) vai monitorizar a floresta e prevenir incêndios com dados de satélite em 19 municípios da Região de Coimbra, num projeto que tem a duração de um ano.

Em comunicado, a empresa, com sede nos Estados Unidos, afirmou que, em 2025, a região de Coimbra contabilizou mais de 64.000 hectares ardidos e, para ajudar a evitar que a situação se repita, em parceria com a portuguesa EOSSAT, assinou um contrato com a Agência Espacial Europeia (ESA) para desenvolver "uma solução inovadora baseada em satélite para a monitorização florestal e prevenção de incêndios".

Em conjunto com a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, a EOSDA irá abranger 19 municípios da região, numa área de 4.336 km², "identificando riscos de incêndio, apoiando a prevenção, avaliando perdas e planeando a recuperação florestal após os incêndios".

O projeto, com início em março, tem financiamento do programa InCubed ESA, uma iniciativa gerida pelo ESA F-lab, que apoia o desenvolvimento de inovações e aplicações comerciais baseadas em dados de observação da Terra.

"Através do InCubed, a ESA apoia a transformação de dados de Observação da Terra em serviços que respondem a desafios reais", afirmou o responsável pelo InCubed na ESA, citado no comunicado.

Para Daniele Romagnoli, o projeto em Coimbra é um "exemplo de como a tecnologia de satélite pode ajudar uma organização local a avaliar riscos e impactos dos incêndios, bem como a orientar o planeamento da recuperação".

A solução combina dados do satélite EOS SAT-1, que tem uma resolução de três metros, com processamento automatizado e validação por especialistas.

Os municípios receberão mapas trimestrais com alterações na cobertura florestal, áreas ardidas e progresso da recuperação, através da plataforma Sistema de Apoio à Decisão e Gestão da Emergência (SADGE) da CIM Região de Coimbra.

"Estamos verdadeiramente empenhados em reduzir o impacto dos incêndios florestais nas comunidades e no ambiente", disse o diretor-geral da EOSDA.

Segundo Oleksii Shchehliuk, esta experiência é aplicada "para reforçar a resiliência aos incêndios na região de Coimbra", que serve como área piloto, considerando que o "projeto tem um forte potencial de expansão para outras regiões e países que enfrentam riscos semelhantes".

Segundo a empresa, ao longo do projeto de 12 meses, a monitorização florestal poderá atingir até 90% de precisão na identificação de áreas de risco de incêndio, o que poderá contribuir para uma redução de até 30% no número de incêndios.

Uma maior precisão na monitorização, continuou, poderá também ajudar as equipas de prevenção a atuar de forma mais eficaz.

"Até 25.000 hectares por ano poderão ser preservados apenas na Região de Coimbra", concluiu.

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