Tragédia que devastou o País, ainda hoje assombra a população. Alzira Louro, de 76 anos, ficou sem parte do telhado da casa e de uma outra estrutura que serve de garagem.
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A tragédia que devastou o País, ainda hoje assombra a população. Alzira Louro, de 76 anos, ficou sem parte do telhado da casa e de uma outra estrutura que serve de garagem. A idosa vive sozinha, em Casal Velho, no concelho de Pombal, e nunca pensou sentir-se tão desamparada. “Se não fossem os meus vizinhos, eu não sei o que seria de mim. Eu não tinha aqui ninguém”, lamenta. Uma realidade dura, característica de um Portugal envelhecido. Os prejuízos são avultados. A casa “tem de ser telhada toda de novo, tem de levar ripas e barrotes. Aonde é que eu vou buscar tanto dinheiro?”, questiona em desespero. Relativamente às ajudas do Estado, ainda terá de submeter candidatura.
“Eu já fui à junta de freguesia e entregaram-me uma folha para os meus filhos preencherem, mas são precisas fotografias. Eu não sei onde é que se trata disso depois, tenho de lá voltar.” Já sobre a demora na chegada destas ajudas, Alzira Louro espera apenas que as verbas financeiras se concretizem. “Que demorem, mas que venham”, diz, com esperança.
Em Alto dos Crespos, a cerca de quatro quilómetros, vive Jorge Calvarino. Na madrugada da tragédia, o vento levou-lhe parte do telhado da casa, galinhas e ovelhas e destruiu-lhe por completo os telheiros que tinha. O morador acredita que nunca mais vai voltar a ser o mesmo. “Acho-me diferente. Tive dias em que não conseguia dar a volta à situação”, recorda. Também neste caso, os prejuízos são bastante elevados. “Penso que não vou conseguir com menos de 30 mil euros.” O município de Pombal contabilizou danos de mais de 32 milhões de euros em património municipal. A autarquia recebeu mais de 1800 candidaturas para as ajudas do Estado destinadas às habitações particulares, mas o número de danos nas habitações será maior. “Em Pombal, mais de cinco mil habitações foram afetadas pela tempestade”, revela o presidente da câmara. Já sobre a demora dos apoios do Estado para as habitações, Pedro Pimpão acredita que tem que ver com a falta de documentos na submissão das candidaturas. “Não diria que é um processo burocratizado, diria que é um processo que exige algumas regras”, afirma.
Na Figueira da Foz, Madalena Adão viu a sua casa ser atingida pelo telhado de uma antiga universidade. O edifício tinha seguro, mas o mesmo não se pode dizer sobre o recheio do seu apartamento. A moradora submeteu uma candidatura às ajudas do Estado, mas até hoje diz viver na incerteza. “Já passaram quase dois meses e não houve uma única resposta”, conta, revoltada. Os danos provocados pelo comboio de tempestades ascendem aos seis milhões de euros. A vereadora Cláudia Rocha adiantou que o município já validou 341 candidaturas de apoio à reconstrução de habitações, mas explicou também que este é um processo complexo e moroso.
Clube desportivo com danos elevados
Além das casas e empresas, o mau tempo afetou também instituições, como um clube desportivo, na freguesia da Guia, Pombal. Segundo Carlos Duarte, presidente do Guiense, os prejuízos chegam quase aos 50 mil euros. “Os danos dizem respeito a um muro, que está na iminência de ruir, e a seis holofotes”, explica. O comboio de tempestades obrigou à paragem das atividades diárias de cerca de 160 atletas, o que por si só também representa prejuízos financeiros. Quanto aos apoios do Estado, Carlos Duarte critica o facto de as candidaturas envolverem um processo demasiado complexo. “O nosso país é um país burocrático desde o licenciamento de uma casa ao preenchimento de um formulário”, atira o responsável do clube.
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