O norte-americano Timothy Brown pode ter-se tornado no primeiro paciente curado do VIH, após ter sido submetido a um tratamento com células estaminais da medula.
O anúncio foi feito por investigadores da Universidade de Berlim, num artigo publicado no ‘Blood Journal’.
Apesar da descoberta, que pode ser uma nova esperança para milhões de pessoas, os especialistas sublinham que ainda é cedo para anunciar a cura para a sida.
Timothy Ray Brown, de cerca de 40 anos, também conhecido como o "paciente de Berlim", foi submetido em 2007 a um complicado tratamento para combater uma leucemia mielóide aguda, um tipo de cancro que afeta o sistema imunitário.
O tratamento incluiu um transplante de células estaminais de um doador portador de um gene hereditário pouco comum, associado à redução do risco de contrair o VIH.
Os médicos, liderados por Kristina Allers e Gero Hutter do Hospital Médico Universitário de Berlim, seleccionaram células estaminais sem o receptor CCR5, necessário para que o vírus se propague no organismo.
Antes do trasplante, Brown recebeu altas doses de quimioterapia e radioterapia e deixou de tomar os anti-retrovirais contra o VIH. Treze meses mais tarde, o doente teve uma recaída de leucemia e foi submetido a um novo transplante de medula com células do mesmo doador.
O caso foi relatado pela primeira vez durante uma conferência em Boston em 2008 pelos médicos que aplicaram o tratamento proposto pelo médico Gero Huetter. Em 2009, o 'New England Journal of Medicine' noticiava que após 20 meses sem tomar os anti-retrovirais não havia sinais do VIH e o artigo agora publicado no Blood assegura que, três anos depois do transplante, "o seu sistema imunitário recuperou uma saúde normal".
Os médicos continuam a observar a evolução do paciente, mas acreditam que este caso poderia abrir o caminho para uma cura permanente do VIH através de células estaminais geneticamente modificadas.
No entanto, especialistas advertem que se trata de uma terapia muito cara e arriscada, que não se pode aplicar a todos os pacientes e não é uma cura definitiva para a sida.
Michael Saag, da Universidade de Alabama em Birmingham, nos EUA, disse à 'CNN' que "é uma prova interessante sobre como medidas extremas podem levar à cura do VIH". Mas considerou que "é demasiado arriscada para se converter numa terapia comum".
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