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Sindicato acusa colégio de assédio a docentes mas escola fala em atos inaceitáveis

Dois professores foram colocados em outras funções por terem recusado um acordo para revogação do seu contrato de trabalho.

16 de maio de 2024 às 10:39

O Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) manifestou-se esta quinta-feira à entrada de um colégio privado em Coimbra que acusa de assédio a dois professores, enquanto o estabelecimento acusa os docentes de "comportamentos eticamente inaceitáveis".

"Temos o relato de que dois professores do Colégio St. Paul School foram substituídos sem invocação de qualquer justificação séria e razoável", acusou o coordenador do Sindicado frente ao colégio, junto a cerca de uma dezena de manifestantes.

Em declarações à Lusa, André Pestana explicou que o estabelecimento retirou funções a uma docente, mudando-a para a biblioteca sem quaisquer funções, enquanto o outro foi transferido para um centro de atividades de tempos livres em Miranda do Corvo, a mais de 30 quilómetros de distância, sem funções de docência.

Segundo o sindicalista, os dois professores foram colocados em outras funções por terem recusado um acordo para revogação do seu contrato de trabalho.

Inicialmente a escola queria a revogação do contrato de trabalho sem qualquer compensação e depois oferecia apenas 500 euros de indemnização.

"A razão invocada era a de não corresponderem ao perfil da escola, que não se sabe o que é e que parece ter um claro conteúdo ideológico", acrescentou.

De acordo com o dirigente sindical, os responsáveis do colégio decidiram depois instaurar um processo disciplinar a um dos docentes, "com vista a perseguirem a sua tentativa de pressão para a revogação do contrato".

"As condutas da empregadora são claramente ilegais por violarem o clausulado contratual contra as funções a desempenhar, as regras legais de transferência e por violação do direito à ocupação efetiva", sustentou.

No seu entender, toda esta situação coloca os professores em "situação vexatória e mesmo humilhante", com danos para a sua saúde física e psíquica.

"Tais condutas, a persistirem, podem mesmo indiciar grave assédio laboral. Ou seja, estes trabalhadores, a serem despedidos, teriam que receber até ao final do seu contrato, além de que a lei também prevê direito a indemnização por caducidade de contrato", alegou.

Contactada pela Lusa, a administração do St. Pauls School sublinhou que este é um colégio particular "com ensino de excelência e rigor", e que paga acima da tabela a todos os colaboradores.

"Infelizmente, um casal de dois professores, homem e mulher, manifestaram comportamentos inaceitáveis no plano disciplinar", lamentou.

Num 'email' assinado pelo administrador do estabelecimento de ensino privado, Jaime Ramos, é relatado que o professor em questão usou palavrões para se dirigir a uma aluna em sala de aula e destruiu os trabalhos de outra disciplina, realizados pelos alunos.

Já em reunião de conselho de turma, o professor terá afirmado "desistir de ensinar alunos que não correspondiam ao que pretendia".

"Consideramos que esses comportamentos são eticamente inaceitáveis e demonstraram uma falta de profissionalismo, que obriga a procedimento disciplinar visando o despedimento. Lamentamos que o sindicato, em vez de promover o prestígio e a competência profissional dos professores, aposte em defender maus profissionais", concluiu.

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