O Sindicato dos Professores do Norte condenou, nesta sexta-feira, "veementemente" a atuação da polícia para com os alunos que se manifestavam em frente a uma escola em Braga e exigiu a abertura de um inquérito para apurar responsabilidades.<br/><br/>
"O Sindicato dos Professores do Norte condena veementemente a atuação da PSP hoje em Braga contra alunos da Escola Secundária Alberto Sampaio que se manifestavam contra a criação de mega agrupamentos, fechando os portões da escola esta manhã", refere comunicado do sindicado.
O documento explica que "os portões da Escola Secundária Alberto Sampaio apareceram hoje fechados a cadeado, tendo os alunos colocado faixas pretas nas grades e formado uma espécie de cordão humano frente ao portão principal numa atitude, legítima, de contestação à imposição de mega-agrupamentos".
O Sindicato considera que "enviar polícia de Intervenção, de forma ostensiva, contra alunos que, pacificamente, se manifestavam contra medidas que vão prejudicar claramente a escola pública que frequentam, é assumir uma posição de autoritarismo e de não respeito pelo direito à indignação", frisa.
Acrescenta que "o facto de a intervenção da polícia ter implicado também o recurso a gás pimenta, o que levou à hospitalização de três alunos", também agrava a situação.
O Sindicato defende ainda que "deve ser aberto um inquérito de averiguações para apuramento de responsabilidades".
O presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Alberto Sampaio, em Braga, acusou também nesta sexta-feira, ao início da manhã, a PSP de "investir" sobre os alunos que se manifestavam contra a criação de um mega-agrupamento e de lançar gás pimenta sobre eles.
Horas mais tarde, o comando nacional da PSP admitiu a utilização de gás pimenta durante a intervenção policial numa manifestação de alunos em Braga, ação justificada para evitar uma operação "mais musculada".
Na quinta-feira passada, o Ministério da Educação anunciou a agregação da Escola Alberto Sampaio com o agrupamento de Nogueira, criando um mega-agrupamento que, segundo Pedro Martins, ficará com 3500 alunos.
A Inspeção nacional da PSP surge em defesa dos seus homens afirmando que a questão "já" está a ser investigada para se poder proceder à "verificação da conformidade" da atuação policial.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a Direção Nacional da PSP lembra que a utilização de gás pimenta, um "meio não letal de baixa perigosidade" está "enquadrada" no quadro de ação daquela força de segurança.
Segundo o mesmo documento, "já se encontra no Comando da PSP de Braga um inspetor da Inspeção Nacional da PSP, para apuramento dos factos e verificação da conformidade legal e regulamentar da atuação policial".
Na referida investigação, adianta, será dada "especial relevância" ao contexto da intervenção da PSP e "em particular aos motivos que justificaram a utilização de aerossóis de defesa contento gás pimenta".
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