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Mário Nogueira, da Fenprof, afirmou que "da próxima vez não vão ser 2.000 ou 2.500, vão ser dezenas de milhares na rua".
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Cerca de 2.000 professores, segundo números dos sindicatos, exigiram esta quinta-feira em Lisboa que o Governo comece já a negociar a contagem dos anos em que as carreiras estiveram congeladas, e ameaçam que da próxima vez poderão ser muito mais
No fim de uma marcha entre o Ministério da Educação e o edifício do Conselho de Ministros, o dirigente sindical Mário Nogueira, da Fenprof, afirmou que está dado "o sinal de que na próxima vez não vão ser 2.000 ou 2.500, vão ser dezenas de milhares na rua".
A exigência dos professores é que o Governo comece imediatamente a negociar o modo e o prazo como vão ser contados para as carreiras os nove anos, quatro meses e dois dias em que a progressão esteve congelada.
Pela Federação Nacional da Educação, João Dias da Silva falou aos manifestantes para dizer que desistir está fora de questão e que o ano letivo tranquilo pretendido pela "sociedade, famílias e professores" está "na mão do governo".
"Não pode empurrar a solução deste problema para o Governo seguinte", afirmou.
A professora do ensino básico Telma Caio, de Alenquer, disse à agência Lusa que trabalha há 17 anos e que menos de metade desse tempo vai contar para a sua progressão na carreira, garantindo que "os professores vão continuar a lutar".
"Um país desenvolvido pauta-se pela segurança, saúde e educação. São os três pilares que estão nas últimas", referiu.
João Bogalho, professor de Educação Visual, afirmou que quem tem na mão o fim da insatisfação e agitação nas escolas é o PS e, sobretudo, os partidos que apoiam o governo: PCP, Bloco de Esquerda e Verdes.
"Isto tem estado envolvido num cinismo sem explicação, quando dizem que devolveram os rendimentos aos portugueses. Eu não sei a quem, porque a nós não devolveram nada", argumentou.
O professor da escola Padre Francisco Soares, em Torres Vedras, defendeu que as direções das escolas "já deviam ter tomado partido sobre isto, como se vê as direções dos hospitais a ameaçarem e a demitirem-se em bloco porque as coisas não estão bem".
"Embora estejam do nosso lado, não têm tomado atitudes nenhumas para pressionar o Ministério da Educação a resolver estes problemas".
Na escola onde trabalha, os professores já disseram que não vão trabalhar "nem mais um minuto" para além do seu horário.
"Foram muitos anos a dar muito tempo que não nos é devolvido", justificou.
O protesto desta quinta-feira foi convocado por uma plataforma de dez estruturas sindicais que têm reivindicado a contagem integral dos nove anos, quatro meses e dois dias congelados.
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