Jovem de 23 anos, que sofria de cancro e contraiu infeção fúngica, morreu na manhã do dia de Natal no IPO do Porto. Deixou sonhos por cumprir.
Ângela Pereira, a jovem doente que estava internada no IPO do Porto, morreu junto da família
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Morreu Ângela Pereira, a jovem de 23 anos doente oncológica que lutou contra uma condição grave nos pulmões ao longo dos últimos tempos. A jovem natural de Viana do Castelo tinha recentemente desenvolvido também um quadro de pneumonia, e não resistiu. Ângela morreu na manhã de quinta-feira, dia de Natal, no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, depois da sua condição clínica, no que à pneumonia diz respeito, se ter agravado significativamente nos últimos dias.
O CM sabe que depois de ficar com pneumonia, e nas vésperas de Natal, a jovem registou um quadro de febre alta. Esse quadro clínico impossibilitou a realização de exames médicos que estavam previstos no sentido de dar continuidade aos tratamentos.
Uma vez que Ângela Pereira se encontrava já num quadro muito débil, a família foi informada que a probabilidade de sobrevivência era cada vez mais baixa. Os familiares ainda conseguiram ver Ângela com vida, apesar de, nas últimas horas, a jovem já não conseguir estabelecer uma conversa. A noite de Natal foi passada pela família no IPO, junto da jovem, que acabou por morrer na manhã de quinta-feira.
Ângela Pereira enfrentou um cancro aos 20 anos. Desde então que tem estado internada a lutar pela vida. Ao CM Ângela tinha referido há poucos dias que “queria ficar por cá para cumprir ainda mais sonhos”. A jovem lutadora gerou uma onda de apoio, sobretudo nas redes sociais, onde várias pessoas se mobilizaram para alertar para a sua condição. Nas redes sociais, e ao CM, Ângela Pereira tinha explicado que no IPO do Porto as equipas médicas lhe explicaram que “já nada havia a fazer e que a morte seria uma questão de tempo.” O País mobilizou-se numa tentativa de encontrar uma solução para Ângela. Uma amiga foi mesmo até Manchester, Inglaterra, para pedir ajuda a especialistas em aspergiloma invasivo, a condição da qual sofria Ângela Pereira. O CM sabe que o IPO do Porto já tinha entrado em contacto com o hospital de Manchester. Tinha sido a essa unidade hospitalar que uma amiga da jovem pediu ajuda na tentativa de conseguir salvar Ângela: Mafalda Araújo foi até ao National Aspergillosis Centre, onde conseguiu estabelecer contactos com um médico especialista que se comprometeu em ajudar.
Nas últimas semanas, e já depois de estabelecidos esses contactos, Ângela fez um novo tratamento. Alguns resultados de exames foram bastante positivos, o que trouxe esperança à família. O fungo tinha regredido e abriu-se uma nova janela de esperança. Infelizmente Ângela desenvolveu uma pneumonia o que impossibilitou mais exames que iriam permitir dar continuidade ao tratamento.
Fungo provoca doença com mortalidade alta
O aspergiloma invasivo é uma massa de fungos que cresce dentro de cavidades pulmonares pré-existentes, e tem mortalidade elevada. Ângela era considerada doente de risco por ser doente oncológica (linfoma), diagnosticada em 2022. A jovem de Afife, Viana do Castelo, já tinha sido submetida a uma cirurgia para a remoção de parte de um pulmão, mas a infeção fúngica acabou por ser mais forte que os tratamentos.
A aspergilose é uma infeção que costuma afetar o trato respiratório, causada pela inalação do fungo Aspergillus. É um fungo que de forma comum aparece no ambiente e no ar que respiramos. Em pessoas imunodeprimidas, o fungo pode ser de elevado risco.
Aspergilose afeta milhões no mundo
Há vários tipos de aspergilose, incluindo o aspergiloma e a aspergilose invasiva aguda. Em todo o mundo há 10 milhões de pessoas em risco de desenvolver aspergilose invasiva, pelo uso de corticosteroides e imunossupressores, por exemplo. Estima-se que por ano 200 mil doentes acabem por desenvolver a doença. Como o diagnóstico é difícil, o tratamento é tardio: a letalidade ronda os 50%, em caso de tratamento, e é superior a 99% se a aspergilose invasiva não for tratada.
O fungo Aspergillus é também responsável pela aspergilose broncopulmonar alérgica, que ocorre em pessoas com asma ou fibrose quística, afetando 5 milhões de pessoas em todo o mundo. A aspergilose pulmonar crónica é de progressão lenta e que afeta mais pessoas com DPOC ou tuberculose. Afeta 3 milhões de pessoas em todo o mundo. Os sintomas variam consoante o tipo de aspergilose: tosse, falta de ar, fadiga, dor no peito e tosse com sangue.
Cancros matam 80 por dia em Portugal
Os cancros são responsáveis por mais de 29 mil mortes por ano em Portugal, ou seja, quase 80 por dia. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, respeitantes a 2024, referem que dos quase 119 mil óbitos nesse ano, 29011 foram causados por tumores, sendo que a esmagadora maioria (28267) eram malignos. De entre os cancros que mais mortes causam em Portugal estão os do trato respiratório (laringe, traqueia, brônquios e pulmões), responsáveis por 4784 mortes no ano passado. O cancro do cólon gerou 2459 óbitos, o tumor do tecido linfático (linfoma), de que padecia Ângela, foi a causa de 2310 mortes, seguindo-se o cancro do estômago (1947) e o da mama (1893). Já a pneumonia - que atacou Ângela nos últimos dias de vida - provocou no ano passado mais de 5 mil mortes.
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