Tio revela que na família toda a gente tinha medo de Marc.
O padrasto das crianças abandonadas em Alcácer do Sal, Marc Ballabriga, tinha um comportamento "preocupante" com a família desde a juventude, segundo relata o tio do suspeito.
As imagens da chegada de Marc e da companheira, mãe dos meninos de 3 e 5 anos, são insólitas. Marine saiu da carrinha a cantar antes de entrar no Tribunal de Setúbal e Marc gritou "amo-vos" aos jornalistas. Um comportamento desligado da gravidade dos factos. O casal terá deixado as crianças sozinhas numa floresta com os olhos vendados, sob o pretexto de que estariam a jogar um jogo.
Os dois suspeitos ficaram em prisão preventiva por "colocar em perigo ou abandonar" os menores e Marc é ainda acusado de “ofensas à integridade física agravadas” contra uma das crianças.
Enquanto se traça o perfil do padrasto que alegadamente sofre de perturbações psiquiátricas, o tio do suspeito descreveu ao jornal francês L'Indépendant o comportamento dele como "preocupante" desde muito jovem.
O tio Gilles explica que quando Marc nasceu, o pai era professor de educação física e a mãe, irmã de Gilles, tinha apenas 18 anos. Uns anos mais tarde separaram-se e Marc foi viver com a mãe para junto da família em Aude, na França. "Foi aí que os problemas começaram”, relatou o tio Gilles.
“Na escola era impossível de controlar. E, na adolescência, por volta dos 15 anos, criou-nos problemas enormes. Tornou-se insuportável. Na família, toda a gente tinha medo dele", recordou ainda o familiar. Um dia, Marc inscreveu-se na Gendarmaria, uma força de segurança. "Pensámos: é o exército, vai ganhar disciplina, podemos respirar de alívio”, afirmou Gilles.
A partir desse momento, os laços familiares enfraqueceram. O jovem serviu numa unidade de intervenção da Gendarmaria, encontrou uma companheira com quem teve uma filha, mas a relação terminou mal. Marc foi condenado por violência doméstica e ameaças de morte repetidas contra a ex-companheira.
Nas redes sociais, Marc alegava ter sido "perseguido e assediado" pela Justiça, garantido ter estado “duas vezes na prisão em 2017 e 2020” e ter sido internado “três vezes em hospitais psiquiátricos em 2020, 2021 e 2022”.
Em 2021, Gilles voltou a ver o sobrinho. “[Marc] queria reaproximar-se da família e pensámos que podíamos tentar, mas ele dizia coisas completamente delirantes. Falava do fim do mundo. Colocou as mãos sobre a cabeça do avô e disse-lhe: 'estou a dar-te uma aura espiritual, vais viver até aos 200 anos'. Também dizia que conseguia olhar diretamente para o sol porque este não lhe queimava os olhos", recordou o tio.
Gilles afirma que a família foi obrigada a usar "truques" para o fazer sair, utilizando a força. "Tínhamos dificuldade em fechar a porta. Era forte, violento, completamente louco. Era o diabo em pessoa. Foi a última vez que o vimos", explicou o tio.
Marc, nesse mesmo dia, terá tentado agredir fisicamente a própria irmã. "Apresentámos queixa na Gendarmaria. Dissemos: 'atenção, ele é perigoso!'. Mas a queixa foi arquivada", disse o tio.
Gilles chegou a pensar que Marc se sentia excluído da família e por isso "havia uma enorme raiva dentro dele". Contudo, o tio conclui que o suspeito "estava zangado com toda a gente, não apenas com os familiares".
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