Detetados 187 casos suspeitos de toxinfeção em Leiria, Santarém, Coimbra e Aveiro.
Entre 21 de julho e 9 de agosto deste ano foram registados 187 casos suspeitos de toxinfeção alimentar associados ao consumo de broa de milho. Os casos foram detetados várias localidades de quatro distritos: Pombal, Ansião, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande (distrito de Leiria), Ourém (Santarém), Figueira da Foz, Condeixa-a-Nova e Coimbra (Coimbra) Ílhavo e Vagos (Aveiro). A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda que se interrompa o consumo de broa de milho nestas localidades, enquanto decorre uma investigação epidemiológica. Como forma de prevenção, foi ainda implementada uma restrição das matérias-primas utilizadas no fabrico da broa de milho. A DGS suspeita que a toxinfeção pode estar relacionada com a farinha usada na confeção de broa de milho.Ainda que a maioria dos casos os sintomas desapareciam poucas horas depois, 43 necessitaram de cuidados hospitalares.Quais são os sintomas?Paulo Almeida, médico de medicina geral e familiar da USF Norton de Matos, em Coimbra, explica ao Correio da Manhã que os "sintomas de uma intoxicação e toxinfeção alimentar são muito semelhantes", sendo que podem ser cólicas abdominais, diarreia, febre, cefaleias, náuseas e vómitos. Já a GS acrescenta que também deve estar atento se sentir secura da boca, alterações visuais, tonturas, confusão mental e diminuição da força muscular.Quando é que começam os sintomas?Segundo a DGS, os sintomas observados nos casos suspeitos foram observados entre 30 minutos a 2 horas após a ingestão de alimentos, mas estes horários podem variar consoante a pessoa e em função da origem da intoxicação.O médico Paulo Almeida esclarece que as "intoxicações alimentares são mais frequentes no verão, já que as condições de humidade e temperatura facilitam o rápido desenvolvimento de bactérias e a produção de toxinas nos alimentos contaminados".Como pode ser evitada?A melhor maneira de evitar a intoxicação alimentar é ter bastante cuidado com os alimentos e evitar qualquer alimento que não seja seguro. Alguns alimentos têm maior probabilidade de causar intoxicação alimentar devido à forma como se produzem e se preparam. Paulo Almeida explica que a carne, as aves, os ovos e o marisco podem cultivar agentes infeciosos que apenas morrem quando são cozinhados. Ainda assim, o médico alerta que em muitas ocasiões, o alimento contaminado não apresenta alterações no sabor, cor ou na aparência, pelo que um alimento aparentemente em boas condições pode também estar contaminado. Como pode ser tratada uma intoxicação?O médico Paulo Almeida explica que, normalmente, a maior parte dos casos são quadros leves e os sintomas desaparecem sozinhos, "sendo suficiente um certo repouso digestivo para abrandar o trânsito intestinal e reduzir o volume fecal". O médico recomenda a ingestão abundante de líquidos e bebidas isotónicas, como as bebidas desportivas, para evitar a desidratação. Paulo Almeida crescenta que, por vezes, pode ser necessário o uso de analgésicos, como o paracetamol, mas que "o uso de antibióticos ou medicamentos para controlar a diarreia só devem ser tomados quando receitados pelo médico".
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