O Volta pretende reciclar 90% dos produtos abrangidos até 2029
Um mês depois de entrar em funcionamento, o novo sistema de reciclagem está a meio gás, com a maioria das embalagens ainda incompatíveis para serem recicladas, embora a empresa gestora assegure que a rede de recolha está quase concluída.
No domingo, o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebida para reciclagem, denominado "Volta", completa um mês.
A SDR Portugal - entidade gestora licenciada pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela Direção Geral da Economia - para a implementação e gestão do SDR disse à Lusa que o mecanismo "arrancou de forma progressiva no passado dia 10 de abril com mais de 90% da rede de pontos automáticos Volta instalada em todo o território nacional".
As embalagens de bebidas (garrafas e latas, de plástico, metal ou alumínio, inferiores a 3 litros) com o símbolo do sistema - uma seta em forma de ferradura e a palavra Volta - passaram a custar 10 cêntimos a mais.
As pessoas podem ter os 10 cêntimos de volta se depositarem embalagens com o símbolo Volta, vazias, intactas, com tampa (no caso das garrafas), com código de barras legível em máquinas do SDR, que se encontram junto de supermercados.
Segundo a empresa, existem 2.500 máquinas, mas prevê-se que este número se aproxime das 3.000.
Apesar de as máquinas estarem instaladas, muitas das embalagens ainda não possuem o selo do Volta, encontrando-se a vigorar um período de transição até 09 de agosto.
Na semana passada, a Lusa constatou que a maioria das embalagens à venda em alguns supermercados da capital ainda não podem ser depositadas em máquinas Volta porque não têm o logotipo do sistema.
No centro comercial Colombo e no centro comercial Fonte Nova as máquinas Volta estão colocadas nos parques de estacionamento e os supermercados desses centros tinham mais embalagens sem o símbolo Volta do que com o logotipo.
Maria Simão, 21 anos, depositou 11 garrafas que os clientes deixaram no seu local de trabalho e recebeu 1,10 euros.
"Os clientes não estão dando atenção a isso, ou seja, iam ser jogadas no lixo normal. Aproveitei e fui juntando as garrafas dos clientes e agora trouxe. Ou seja, nem me foi cobrado os 10 cêntimos, mas eu recebi o 'voucher'", contou.
Ao lado da máquina Volta estava um caixote para as embalagens de bebida rejeitadas pela máquina, que estava cheio com garrafas de água, caixas de cartão, sacos de plástico, entre outros materiais inadequados para o sistema.
Um dos seguranças do centro comercial disse à Lusa que o caixote costuma estar cheio com embalagens que a máquina rejeita.
Nos municípios de Oeiras e da Amadora também se viam caixotes para as embalagens inadequadas ao lado das máquinas do SDR com dezenas de garrafas e latas porque as pessoas tentam usar o sistema, mas sem sucesso.
Foi o caso de Carlos Monteiro, 53 anos, que tentou usar a máquina pela primeira vez, mas a garrafa que utilizou foi rejeitada por não ser possível ler o código de barras.
À Lusa o SDR admitiu que as principais dúvidas dos consumidores estão relacionadas com as condições de elegibilidade das embalagens, assim como o valor de depósito e formas de reembolso, localização dos pontos Volta e o período de transição.
O SDR Portugal explicou ainda à Lusa numa resposta escrita que em restaurantes, cafés e hotéis o sistema funciona de forma diferente consoante o tipo de consumo.
Nestes setores, quando o cliente paga apenas no fim da refeição, não deve ser cobrado o depósito de 10 cêntimos, exceto se a embalagem for levada pelo consumidor ou se estiver danificada. Nesses casos, o depósito pode ser cobrado.
Quando o pagamento é feito antes do consumo, o valor do depósito deve ser cobrado ao cliente e devolvido quando a embalagem é entregue em condições adequadas e, se necessário, mediante apresentação do comprovativo de compra.
Numa ronda por cafés e restaurantes de Lisboa, a Lusa também verificou que continuam a funcionar sem o sistema.
Alguns funcionários relataram que não cobravam 10 cêntimos porque ainda não tinham para venda embalagens com o símbolo Volta.
O Volta pretende reciclar 90% dos produtos abrangidos até 2029.
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