Eleições estão marcadas para o próximo dia 21 de fevereiro.
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Alterações legislativas, revisão dos estatutos do Sindicato dos Jornalistas (SJ) e a aposta na literacia estão na agenda da atual presidente do órgão, Sofia Branco, para o próximo mandato, após um balanço "difícil" dos últimos três anos.
As eleições para o SJ estão marcadas para 21 de fevereiro, com duas listas: A e B.
No entanto, só a lista B - atualmente presidida por Sofia Branco -, se candidata aos cinco órgãos do sindicato, enquanto a lista A - que conta com o ex-presidente do SJ, Alfredo Maia - concorre a dois, o Conselho Deontológico e o Conselho Geral.
"Foram três anos difíceis", confidencia Sofia Branco no balanço do seu primeiro mandato à frente do SJ, explicando que o órgão teve, em média, "uma a duas intervenções complexas", onde estiveram em causa questões de despedimentos, reduções de pessoal ou rescisões em grandes grupos de comunicação social.
A crise que o setor de media atravessa "faz-nos acreditar que os próximos [três anos] não serão melhores", considerou.
Em três anos saíram cerca de 80 jornalistas do SJ, "na sua maioria" devido a "situações económicas", havendo ainda também quem tenha saído do setor, prosseguiu.
Contudo, "tivemos 200 jornalistas que entraram", ou seja, "entraram mais em três anos como nunca entraram antes", salientou, acrescentando que nos cadernos do SJ com quotas em dia contabilizam-se cerca de 2.000, que é o universo eleitoral das eleições de 21 de fevereiro.
Sofia Branco destaca o Congresso dos Jornalistas como um momento positivo no mandato, no qual foram aprovadas propostas que agora serão trabalhadas no âmbito legislativo.
"Candidatámos-nos há três anos porque queríamos fazer um congresso e porque tínhamos pedido várias vezes à anterior direção para o fazer, sem resposta", adiantou, salientando que a partir daí, de um grupo informal, avançaram para as eleições ao SJ, ganharam e organizaram um congresso em associação com a Casa de Imprensa e o Clube de Jornalistas.
"Há muitas propostas aprovadas que implicam alterações legislativas" e este "é um processo que deve ser desencadeado no global", pelo que "a direção vai ter seguramente uma proposta" que será discutida no Conselho Geral, disse.
Questionada sobre quando pretende fazer esta proposta, Sofia Branco admitiu que tal aconteça ainda durante a vigência do atual Governo.
"Recandidatamos-nos para continuar uma série de iniciativas", como a questão da literacia, "um projeto absolutamente fantástico" que conta com 78 jornalistas formados "capazes neste momento de fazer uma ação de formação na escola" para "capacitar os professores".
Outra das apostas na mesa é a "revisão dos próprios estatutos do sindicato", que precisa de responder a novas situações como os 'freelancers' e os estudantes.
E nos próximos três anos Sofia Branco espera também que seja possível criar uma "ligação maior com as universidades". Isto é, a direção do SJ pretende "criar um núcleo de estudantes dentro do sindicato", em moldes que ainda terão de ser debatidos.
Outro dos pontos é a internacionalização e, pela primeira vez, Lisboa vai ser palco da assembleia anual da Federação Europeia de Jornalistas, que decorre em 06 de junho, trazendo ao país cerca de 100 profissionais do setor.
"Isto para nós é muito importante em termos de relações internacionais", sublinhou.
Sofia Branco disse que no próximo mandato pretende ainda discutir a abertura do universo eleitoral às eleições do Conselho Deontológico, depois de o Código Deontológico do Jornalista ter sido alvo de um referendo, o que se traduziu em "três alterações importantes", onde destaca a autonomização da cláusula de consciência.
Nestas eleições, o voto será por correspondência e presencial, mas a presidente do SJ espera que daqui a três anos já seja possível realizá-lo por via eletrónica.
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