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Correio da Manhã

Sociedade
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"Somos culpados mas não somos criminosos"

CPCJ decidiu retirar quatro menores aos pais.
Pedro F. Guerreiro 24 de Outubro de 2015 às 18:21
Samuel Garcia já tinha feito vários pedidos de ajuda para conseguir creche para os quatro filhos
Samuel Garcia já tinha feito vários pedidos de ajuda para conseguir creche para os quatro filhos FOTO: Luís Costa
"Desviaram um móvel para tirar a chave, que estava num local alto, e abriram a porta". Foi assim que, quando chegou do trabalho, cerca das 02h00, Samuel Garcia percebeu que os dois filhos, gémeos de 3 anos, tinham saído de casa enquanto a mãe dormia. Foram encontrados sozinhos, descalços e à chuva, num parque infantil a cerca de 500 metros da residência, por um jovem que deu o alerta à PSP.

A situação levou a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) a atribuir a guarda temporária dos dois menores – além de outros dois irmãos, também gémeos, de 18 meses (um dos quais está internado no hospital de Faro) – ao Refúgio Aboim Ascensão, como medida cautelar. O pai, Samuel Garcia, assume a culpa da situação, mas lamenta o desfecho. "Somos culpados mas não somos criminosos. Eu e a mãe somos bons pais e gostamos muito dos nossos filhos", lamenta, adiantando que já está a pagar uma pena ao não ter os menores consigo.

Sem apoio familiar próximo, Samuel Garcia diz que tanto ele como a companheira foram vítimas de cansaço extremo. "Somos pais de quatro gémeos, um deles está no hospital há 18 meses e temos de fazer um enorme esforço. Estamos cansados e acredito que ela [a mulher] não está bem e, por isso, vai ter apoio psicológico", revela.

O pai lamenta ainda que, até ao momento, nunca tenham existido vagas na creche para nenhum dos quatro filhos, apesar dos vários pedidos à autarquia e à Direção Regional de Educação. "Tive falta de apoio, mas vou fazer tudo para recuperar os meus filhos", garante.
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