page view

Caso Epstein: As mulheres que protegiam o predador

Cúmplices do pedófilo não eram apenas homens. Epstein era protegido por várias mulheres, algumas das quais também eram suas vítimas.

07 de março de 2026 às 01:30

Jeffrey Epstein sempre gostou de estar rodeado de belas mulheres. Teve várias cúmplices - a mais célebre, Ghislaine Maxwell -, que o defenderam até ao fim.

Na década de 80, o pedófilo viveu um romance discreto com Eva Andersson, atriz e modelo sueca que chegou a concorrer a Miss Univer- so e, mais tarde, participou na série ‘Baywatch’. Foi ela quem o apresentou à alta sociedade de Manhattan e foi o seu mordomo, Rinaldo Rizzo, que contou às autoridades o seu en- contro, na cozinha, com uma jovem de 15 anos que disse ter sido forçada a praticar atos sexuais na ‘ilha dos pedófilos’.

Em 1982, Epstein conheceu a atriz espanhola Ana Obregón, que lhe pediu ajuda para salvar o pai, investidor com ligações à realeza espanhola, de um esquema financeiro que ameaçava destruir a família. Ele ajudou-a e ela abriu-lhe as portas a novos círculos sociais fora do país. Já Nadia Marcinkova foi piloto do avião de Epstein, o ‘Lolita Express’, e vítima do pedófilo. Segundo um relatório do Departamento de Polícia de Palm Beach, datado de 2006, Epstein comentou que a eslovaca era uma “escrava sexual” que comprou aos pais quando era adolescente. Ela dividia um apartamento em Nova Iorque com outras três mulheres - Adriana Ross, Sarah Kellen e Lesley Groff -, que receberam imunidade no caso de 2008. Elas eram assistentes do pedófilo e ajudavam a agendar as suas ‘massagens’. Ross era uma ex-modelo polaca. Trabalhava na mansão de Palm Beach, viajando frequentemente no ‘Lolita’, incluindo com Bill Clinton. Groff foi assistente de Epstein durante 20 anos. Em 2005 gabou-se do vínculo que tinha com ele: “Sei o que ele está a pensar.” Uma das vítimas, Jennifer Araoz, afirma que tinha 14 anos quando Epstein começou a abusar dela e Groff era a responsável por agendar as ‘massagens’. Já Kellen era uma espécie de ‘faz-tudo’ para Epstein e Maxwell. 

A herdeira do monstro

A dentista bielorrussa Karyna Shuliak, de 36 anos, é descrita como namorada de longa data de Jeffrey Epstein e uma figura central na sua vida privada, conforme documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça americano. A última ligação telefónica do predador sexual, antes da sua morte em agosto de 2019, foi para Shuliak. Ela conheceu Epstein em 2010, na Bielorrússia, quando tinha 20 anos. É muitas vezes referida como ‘A inspetora’ e acredita-se ser a única herdeira do criminoso, que pretendia casar com ela. A herança pode valer qualquer coisa como 100 milhões de dólares (cerca de 86 milhões de euros). 

PORMENORES

Primeiro amor

A primeira namorada de Epstein conhecida foi Lynn Greenberg, que encontrou quando era professor de Matemática no colégio Dalton. Lynn tornou-se na 1.ª mulher com um assento na bolsa de valores americana.

Visitas na prisão

Nadia Marcinkova também es- teve envolvida no aliciamento de jovens para a rede pedófila e visitou o criminoso 67 vezes na prisão quando ele cumpriu pena por aliciar menor a prostituir-se.

“Era violada”

Sarah Ransome, vítima, disse: “Ghislaine e Sarah Kellen ensinaram-me a agradar Jeffrey.” Kellen defendeu-se: “Pintaram-me como um monstro, mas não é verdade. Era violada e abusada todas as semanas.”

Memorandos implicam Trump

O Departamento de Justiça dos EUA publicou online três memorandos do FBI que descrevem entrevistas relacionadas com alegações não verificadas de agressão sexual contra o Presidente Donald Trump que tinham estado em falta no enorme conjunto de ficheiros de Epstein já divulgados, e cuja ausência já tinha sido noticiada pela imprensa de todo o Mun- do. Em causa estão entrevistas com uma mulher que disse aos agentes que Epstein a tinha abusado repetidamente física e sexualmente há décadas, começando quando ela tinha cerca de 13 anos, e que também acusou Trump de a ter agredido sexualmente.

Trump negou qualquer irregularidade através da secretária de imprensa da Casa Bran- ca, Karoline Leavitt, que descreveu as acusações provenientes das entrevistas do FBI como “completamente infundadas, apoiadas por zero provas credíveis”. Também questionou a credibilidade da acusadora, cujo nome está ocultado nos ficheiros, apontando para o seu registo criminal. Agentes do FBI conduziram quatro entrevistas com a mu- lher, mas apenas um memorando que registava uma en- trevista em julho de 2019 - aquela em que não era feita qualquer referência da Trump - estava disponível na base de dados do Departamento de Justiça que foi tornada pública em janeiro. Os ficheiros divulgados cobrem três entrevistas adicionais conduzidas com a mulher em agosto e outubro de 2019. É nestas entrevistas que ela diz que Epstein a apresentou a Trump e, em seguida, este pediu a todos que saíssem da sala e “mencionou algo no sentido de ‘Deixa-me ensinar-te como as meninas pequenas devem ser’”. Depois, abriu o fecho das calças e colocou a cabeça dela “em direção ao seu pénis”. A alegada vítima disse que mordeu Trump, que de- pois lhe bateu e disse “palavras no sentido de ‘tirem esta pe- quena cabra daqui para fora’”.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8