Empresa prevê colocar em bolsa 25% da unidade de retalho alimentar, mantendo-se como o principal accionista.
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A Sonae SGPS anunciou que decidiu avançar com a oferta pública inicial (IPO) da unidade de retalho alimentar. A operação deverá ser realizada no quarto trimestre deste ano e a empresa prevê um free float mínimo de 25%, revelou a empresa co-liderada por Ângelo Paupério e Paulo Azevedo num comunicado enviado para a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), escreve o Jornal de Negócios
A retalhista explica que espera que a operação "ocorra durante o quarto trimestre de 2018", tendo de receber a aprovação das autoridades. "A Sonae SGPS prevê oferecer uma participação minoritária a investidores não qualificados e qualificados, mantendo-se o acionista de referência da Sonae MC", adianta a mesma fonte.
Mais do que realizar a operação nos últimos meses do ano, a Sonae espera que a Sonae MC estreie em bolsa ainda este ano.
A empresa adianta ainda que tem "como objetivo atingir um 'free-float' mínimo de aproximadamente 25%."
A Sonae SGPS realça ainda que esta operação deverá trazer "maior visibilidade à valorização da Sonae MC" e potencialmente reduzir o "desconto de holdingdo grupo". "Adicionalmente, é expectável que o IPO melhore a proposta de valor da Sonae MC através de um aumento do nível de autonomia, uma estrutura de capital independente e um governo societário e política de dividendos em linha com as melhores práticas do mercado, sustentando a estratégia e o plano de crescimento da sociedade."
"O Barclays, o BNP Paribas e o Deutsche Bank actuam como joint global coordinators para o IPO e joint bookrunners para a oferta institucional juntamente com o Banco Santander, o CaixaBank BPI e o CaixaBI; o Haitong Bank, a JB Capital Markets e o Mediobanca actuam como co-lead managers", acrescenta a mesma fonte.
"Após quase 60 anos de história, a Sonae SGPS continua a estar totalmente alinhada com as suas raízes e os seus princípios de criação de valor económico para os negócios, pessoas e sociedade", salienta Ângelo Paupério, citado em comunicado. "O IPO da Sonae MC é mais um passo que demonstra a capacidade do grupo para criar valor para os accionistas e conceder às sociedades do seu portefólio a independência necessária para continuar a cumprir as suas ambições de crescimento", salienta.
"O conselho de administração e eu acreditamos que esta oferta será uma oportunidade única para os investidores num mercado de retalho alimentar em crescimento e, especialmente, no líder do sector em Portugal", realça Paupério.
Já o presidente executivo da MC, Luís Moutinho, diz que estão "muito satisfeitos com o anúncio do IPO da Sonae MC" e que o "objectivo é continuar a seguir uma estratégia centrada no consumidor para sustentar um papel de crescimento e perfil de rentabilidade acima do mercado num período de forte expansão da nossa rede de lojas, o qual nos vai permitir estar ainda mais próximos de todos os portugueses. Acreditamos que o IPO marca o início de uma nova e importante etapa na nossa história da Sonae MC e estamos ansiosos por alavancar as oportunidades de crescimento que temos pela frente."
A empresa revelou o interesse na colocação em bolsa do portefólio de retalho, que inclui a Sonae MC, e a Sonae RP, a entidade que gere a propriedade imobiliária de retalho da Sonae, no dia 21 de Maio. Um portefólio que, segundo estimativas do Haitong, terá um valor de mercado de 1,8 mil milhões de euros. Uma capitalização bolsista que, a confirmar-se, significará a nona maior empresa da bolsa de Lisboa.
No dia 5 de Junho, publicou uma apresentação do seu negócio, o que representou mais um passo para a colocação em bolsa. Na altura, a empresa destacou-se como um "líder incontestado no retalho alimentar em Portugal e uma oportunidade para obter exposição directa ao consumidor português".
A última vez que a Sonae SGPS publicou uma apresentação sobre a Sonae MC foi no dia 3 de Setembro, altura em que revelou que se prevê que a empresa de retalho deverá distribuir entre 40% a 50% do resultado líquido.
Estratégia de crescimento
Além disso, a MC prevê chegar ao final deste ano com um "rácio de dívida líquida de final de ano sobre EBITDA ajustado de cerca de 2,0x e um nível de freeholdde aproximadamente 45%", adianta o comunicado.
Nos próximos três anos, a empresa estima abrir entre 50 a 60 lojas Continente Bom Dia e entre quatro a oito lojas Continente Modelo, além de "cerca de 150 lojas de formatos adjacentes".
"Adicionalmente, a Sonae MC antecipa gastar 115 milhões de euros por ano em investimento de manutenção e optimização e um montante cumulativo entre 2019 e 2021 de 260-280 milhões de euros em investimento para expansão."
A Sonae MC prevê ainda gerar receitas brutas, "operações de sale & leaseback´’" na ordem dos 60-80 milhões de euros nos próximos dois anos (2019-2020).
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