Durante o período crítico, o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Beira Baixa respondeu a 2.049 ocorrências.
As tempestades provocaram prejuízos de mais de 100 milhões de euros (ME) na Beira Baixa, revelou esta quinta-feira o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, João Lobo, após uma reunião extraordinária deste órgão.
Este valor, metade atribuído ao prejuízo na floresta e o restante aos danos em habitações, estruturas, património cultural, associativo e religioso, ainda não está fechado e, segundo João Lobo, irá subir.
Durante o período crítico, o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Beira Baixa respondeu a 2.049 ocorrências.
Esta quinta-feira, ainda há 64 pessoas que não voltaram às suas casas e 300 habitações sem energia, além de algumas falhas nas comunicações.
O também presidente da Câmara de Proença-a-Nova e da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa ressalvou que o maior volume de prejuízos se concentra em seis dos oito concelhos da região (Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Proença-a-Nova, Sertã, Oleiros e Vila de Rei), estando o concelho da Sertã na liderança dos danos apurados.
No distrito, "Covilhã, Belmonte e Fundão não foram, felizmente tão afetados, tal como Idanha-a-Nova e Penamacor".
Os danos que os seis municípios mais afetados têm, até esta quinta-feira, "orçados em infraestruturas públicas, naquilo que são as empresas, as associações, a parte religiosa, andam à volta já dos 50 (ME). Relativamente à floresta, dado o que nos foi transmitido pelo Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF), mas que é provisório, traduz prejuízos também na ordem dos 50 (ME)".
No que respeita à floresta, "essa foi outra das preocupações, transversal a todos os serviços municipais, relativamente àquilo que são os milhares e milhares de quilómetros de rede viária florestal que é preciso desimpedir".
"Portanto, aqui há necessidade, evidentemente, de os municípios fazerem o seu trabalho".
João Lobo deu conta de que "Vila de Rei foi o primeiro a tomar a iniciativa, através de edital, que depois será replicado por todos os municípios. Os proprietários privados, evidentemente, têm a responsabilidade de resolver, mas os municípios, o ICNF e as Forças Armadas, articulação que está a ser feita ao nível do Governo, no sentido dessas entidades apoiarem o trabalho dos municípios".
"Mas também as empresas privadas serão chamadas a fazer esse trabalho".
Este é um trabalho feito contrarrelógio, com a aproximação do tempo quente, mas "fala-se do distrito de Castelo Branco, mas também Leiria e Coimbra".
"É uma área imensa que é preciso desobstruir e é preciso que a indústria transformadora tenha também capacidade para acolher esse material lenhoso e dar mais valias aos proprietários e ao território".
Adicionalmente, "é preciso depois tratar também as pragas que se vão instalar, relativamente à madeira que está caída".
"Há aqui várias dimensões do problema, mas urge haver respostas, quer do ponto de vista da articulação, como disse da parte do Governo, portanto, do Ministério da Agricultura e da Sustentabilidade das Florestas, mas também com as outras entidades".
João Lobo lembrou que "o primeiro-ministro referiu haver um Plano de Recuperação e Resiliência para este território, portanto, a expectativa que existe e daquilo que também tem sido a articulação com a Associação Nacional de Municípios Portugueses, é a de que haja apoios e muito deles a fundo perdido".
O responsável deu ainda nota da consciencialização de todos de que estes fenómenos climáticos extremos serão cada vez mais frequentes, pelo que "a formação, no que toca à segurança, deve começar no primeiro ciclo, para se saber interpretar e perceber os avisos e como se deve enfrentar condições atmosféricas adversas".
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
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