Vereador salvaguarda que não pretende "atacar os processos urbanísticos em causa", mas sim questionar a "pressa de fazer isto a dois meses da revisão do PDM".
Três torres de 12 pisos na Rua de Bustes, a edificação de 73 habitações na Quinta do Paço e a reconversão da pedreira da Madalena, maioritariamente localizada em Canidelo, são projetos previstos para Gaia, consultou esta quarta-feira a Lusa.
De acordo com documentação a que a Lusa teve acesso, em causa estão três projetos distintos: a urbanização de Bustes, com três torres previstas com 12 pisos cada, a urbanização da Quinta do Paço, que prevê 73 habitações junto à igreja de Canidelo, e a elaboração do Plano de Pormenor da Pedreira da Madalena (que, apesar do nome, se situa maioritariamente em Canidelo), com prazo de 12 meses.
Relativamente à urbanização na Rua de Bustes, junto ao estádio do Sport Clube Canidelo, o projeto prevê, na primeira fase, a execução de três torres de 12 andares (menos três do que o anteriormente previsto) e 40,88 metros de altura naquela artéria, num total de 19.753,98 metros quadrados de área bruta de construção, estando também prevista a execução de um parque urbano.
Já uma segunda fase engloba a construção de dois lotes com seis pisos cada (8.300,04 m2 de área bruta de construção), mas está "dependente da concretização da VL1 (Eixo Concelhio Estruturante) por parte da autarquia".
Relativamente a transportes, apenas é mencionado o estacionamento automóvel, apontando o promotor para "a criação de 599 lugares de estacionamento privado (interno) e 71 lugares de estacionamento público (externo), acrescidos de seis lugares destinados a utentes com mobilidade condicionada".
Quanto ao empreendimento da Quinta do Paço, junto à igreja e cemitério de Canidelo, em causa estão quatro lotes, dos quais três para edificar habitações: um com 41 (oito T2, 24 T3 e nove T4) e área bruta de construção com 9.039,44 m2, outro para uma habitação unifamiliar (área bruta de construção com 454,30 m2), e outro para 31 habitações, das quais 21 moradias T3 e 10 apartamentos T2 (área bruta de construção de 5.856,40 m2).
Estão previstas cedências de espaço à autarquia para arruamentos e uma parcela de 864,55 m2 "contígua a norte ao Centro de Dia da Associação de Solidariedade Social dos Idosos de Canidelo para efeito da ampliação do referido equipamento".
Por fim, a elaboração do Plano de Pormenor da Pedreira da Madalena, com prazo de 12 meses e sujeição a Avaliação Ambiental Estratégica, num espaço que engloba 39 hectares junto à Linha do Norte, a autoestrada A1 e o Lugar do Fojo, envolvendo também os estaleiros da Câmara Municipal.
Como o Plano Diretor Municipal (PDM) classifica a zona "como Solo Urbano, na categoria de Área de Expansão Urbana de Uso Geral" e de tipologia mista, estas "destinam-se à expansão das áreas urbanas de maior carga urbanística", definindo o PDM que "nestas áreas deve ser promovida a multifuncionalidade e que os usos dominantes são os de habitação, comércio e serviços", e os complementares para equipamentos.
Todos os procedimentos, que têm origem no anterior executivo PS, foram aprovados na reunião privada de terça-feira, com votos favoráveis da maioria do executivo liderado por Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP/IL) e vereador António Barbosa (ex-Chega), e abstenção do PS.
O vereador João Paulo Correia (PS) manifestou-se preocupado com a aprovação dos projetos, considerando que "são três mega-operações urbanísticas que estão a ser finalizadas antes da revisão do PDM" anunciada "para daqui a dois meses", contestando "o 'timing'" da aprovação.
Para João Paulo Correia, em causa estão "milhares de pessoas que passarão a residir na freguesia de Canidelo sem que até lá aqueles que são os principais problemas da freguesia" estejam resolvidos, como acessos, mobilidade e "pressão demográfica sobre as escolas, as creches, o centro de saúde, o serviço da Unir em autocarro, que ainda continua com bastantes problemas".
O vereador salvaguarda que não pretende "atacar os processos urbanísticos em causa", mas sim questionar a "pressa de fazer isto a dois meses da revisão do PDM".
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