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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Trabalhadores da Intelcia pedem mais tempo para sair de instalações da Câmara de Fafe

Empresa recebeu em janeiro a indicação da autarquia do distrito de Braga para sair até 31 de julho.

10 de junho de 2026 às 12:30

Mais de 50 trabalhadores do 'call center' da Intelcia, uma empresa prestadora de serviços, concentraram-se esta quarta-feira diante da Câmara de Fafe para pedir ao executivo que prolongue até 31 de dezembro o aluguer do edifício no qual trabalham.

A porta-voz dos cerca de 220 trabalhadores da empresa, Inês Silva, explicou à Lusa que "o espaço onde a empresa está instalada em Fafe é da autarquia que, após o ter cedido há uns anos para garantir a fixação dos postos de trabalho, decidiu agora instalar ali a Proteção Civil local, bem como a Polícia Municipal".

Questionada sobre o facto de apenas 50 dos 220 trabalhadores participarem no protesto, a também chefe de equipa explicou que a empresa se divide em "projetos portugueses e franceses e que o serviço francês está a trabalhar, enquanto o português cumpre o feriado de 10 de junho".

"Todavia, temos aqui algumas pessoas do serviço francês", revelou Inês Silva.

Segundo a porta-voz, a empresa recebeu em janeiro a indicação da autarquia do distrito de Braga para sair até 31 de julho, alegando que precisa das instalações para albergar os dois serviços, prazo que a empresa e os trabalhadores "constataram ser curto para encontrar uma solução", pelo que pedem que esse prazo seja dilatado até 31 de dezembro.

"Foram encontradas alternativas pela empresa (...), mas não é de um dia para o outro que um edifício com o tamanho do atual se consegue", insistiu a representante dos trabalhadores.

Inês Silva revelou que a empresa pediu ao presidente da Câmara, por carta, que se prolongue o prazo, pelo menos até 31 de dezembro, para dar mais hipóteses à empresa, que já tem negociações com outro concelho, evitando, dessa forma, o recurso ao teletrabalho".

"A preocupação da empresa é a manutenção de todos os postos de trabalho, mas o teletrabalho pode ser inevitável", admitiu a trabalhadora, preocupada como o facto de existirem colegas que "não conseguirão trabalhar nessa versão e que podem acabar no desemprego".

Inês Silva lembrou ainda que a empresa está no concelho há 10 anos e que a sua chegada foi destacada pelo então presidente da Câmara "porque trazia emprego a Fafe e, agora, o atual, de um momento para o outro, decide que, afinal, esse sítio passa para a Proteção Civil e para a Polícia Municipal".

A Lusa tentou uma reação da autarquia e recebeu como resposta que o presidente da Câmara Municipal, Antero Barbosa (PS), "falará amanhã do assunto durante a reunião do executivo".

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