As autoridades portuguesas já anunciaram o reforço de meios policiais para enfrentar qualquer eventualidade.
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Os transportadores de mercadorias encaram os protestos marcados para sexta-feira com alguma reserva e, embora alguns assumam que partilham das mesmas reivindicações que os promotores das ações, outros demarcam-se completamente das iniciativas, duvidando dos seus objetivos.
Após cinco sábados consecutivos de protestos dos chamados 'coletes amarelos' em França, contra o aumento da carga fiscal e dos combustíveis e a desvalorização salarial, assiste-se em Portugal a um efeito de contágio, com a promoção, nas redes sociais, de um movimento denominado 'Vamos Parar Portugal'.
Este movimento, que se assume como cívico, anunciou a realização de ações de protesto a partir das 07:00 de sexta-feira em vários locais do país, nomeadamente em importantes eixos rodoviários de Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Faro.
O presidente da Associação Nacional de Transportadoras Portuguesas (ANTP), Márcio Lopes, disse à agência Lusa que esta associação "está fora de qualquer organização relacionada com a promoção dos protestos, mas afirmou que concorda "com o que está a ser feito".
E manifestou vontade de que tudo corra bem na próxima sexta-feira.
"A ANTP não participa em nada, mas acha que cada um deve decidir por si. Cada empresa, cada motorista é que decide", afirmou.
Márcio Lopes tenciona participar nos protestos a título individual, porque concorda com os motivos, nomeadamente com a reivindicação de redução de impostos e dos preços dos combustíveis.
Desconhece se haverá uma elevada participação nas ações de protesto, ou quais os locais com maior adesão. No seu caso, como é da zona de Torres Vedras, pretende aderir ao protesto marcado para a A8 (Autoestrada 8).
"Desconheço como vai decorrer o protesto, presumo que se trate de uma marcha lenta, mas na altura se verá", afirmou Márcio Lopes.
O presidente da ANTP admitiu a existência do risco de os protestos degenerarem em algo menos ordeiro, como aconteceu em França, e defendeu que todos têm responsabilidade de contribuir para a manutenção da ordem.
"Todos queremos que seja uma manifestação com pés e cabeça, sem problemas, mas será ingénuo pensar que não vão haver infiltrados para destruir ou causar distúrbios, mas cabe a cada um de nós tentar manter a ordem", disse.
Já o presidente da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), Gustavo Paulo Duarte, criticou a forma como os protestos estão a ser promovidos e garantiu que a ANTRAM e os seus associados não vão participar em nada, porque desconhecem quem está por detrás dos protestos ou quais são os seus motivos.
"A ANTRAM não entra nisto porque desconhece os verdadeiros motivos destes protesto, que, para já, não têm cara nem voz", disse, acrescentando que a associação também reivindica a redução da carga fiscal e do preço dos combustíveis, "mas não desta forma".
Para o responsável associativo, "esta não é a forma certa de reivindicar" e nos casos em se opte por avançar para manifestações, estas "têm de ter responsáveis e objetivos definidos".
"Nós não entramos em guerras que não sabemos como vão acabar e sem saber a quem nos estamos a juntar, por isso aconselho todos a serem muito cautelosos", disse.
Gustavo Duarte considera que os protestos que estão marcados para sexta-feira "resultam de um movimento de pessoas, que ninguém sabe quem são, mas a quem os media estão a dar voz".
"Seria desejável que se falasse menos disto nos media, porque quanto mais se fala pior, está a dar-se voz a alguém que não se sabe quem é ou o que é", concluiu.
Os protestos semanais dos 'coletes amarelos' em Paris têm degenerado em confrontos com a polícia, de que tem resultado um elevado número de feridos, e em ondas de destruição e saque de lojas.
As autoridades portuguesas já anunciaram o reforço de meios policiais para enfrentar qualquer eventualidade que surja na sequência dos protestos marcados para sexta-feira.
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