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Correio da Manhã

Sociedade
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Tumores cerebrais são dos mais malignos

Doentes diagnosticados com tumor cerebral maligno e grave sobrevivem entre seis meses e dois anos.
20 de Abril de 2014 às 08:30
A remoção cirúrgica do tumor cerebral é o tratamento privilegiado, mas pode não ser adequado
A remoção cirúrgica do tumor cerebral é o tratamento privilegiado, mas pode não ser adequado FOTO: Jupiter Images

Dor de cabeça intensa e prolongada, normalmente durante a noite, falta de força num braço e alteração do comportamento são alguns dos sintomas de quem tem um tumor no cérebro. Se for grave e maligno, a esperança média de vida varia entre os seis meses e os dois anos, segundo os especialistas.

"Não são os tumores mais frequentes, mas são terríveis. Há tumores primitivos, que são raros, e têm origem nos tecidos do cérebro. Mas os mais frequentes são as metástases de outros cancros, como o da mama ou próstata", explica ao CM Mamede Carvalho, neurologista do Hospital de Santa Maria (Lisboa).

O tumor é operável ou não dependendo da natureza e localização do mesmo. "Os tumores benignos são mais fáceis de operar, mas depende sempre da localização. Na periferia, logo abaixo do osso, normalmente são mais acessíveis. Depois há casos graves, de doentes com quatro ou cinco metástases de outro cancro", refere Mamede Carvalho.

O neurologista salienta os avanços da medicina nesta área. "Hoje em dia existem métodos mais sofisticados, nomeadamente no campo da radioterapia, para tratar os tumores no cérebro."

O glioblastoma é o mais temível de todos os tumores. É o cancro mais grave, pois tem um prognóstico mau. O tumor cresce rapidamente. Se for benigno, o crescimento é normalmente mais lento. Os médicos têm assim mais tempo para atuar. Um meningioma, por exemplo, pode ser diagnosticado só aos 50 ou 60 anos.

O sexo, a raça e a idade são apontados como alguns dos fatores de risco associados a uma probabilidade acrescida de desenvolver um tumor cerebral primário. De uma maneira geral, os tumores cerebrais são mais frequentes nos homens do que nas mulheres. Contudo, os meningiomas ocorrem sobretudo em mulheres. Os tumores cerebrais surgem mais frequentemente em caucasianos do que noutras raças, segundo os especialistas. A maioria dos tumores cerebrais é detetada numa fase mais avançada da vida.

PORMENORES

Cérebro - O cérebro é uma massa de tecido mole e esponjoso. Encontra-se protegido pelos ossos da caixa craniana e por três membranas muito finas designadas por meninges.

Cerebelo - O cerebelo situa-se na parte posterior do cérebro. O cerebelo controla o equilíbrio, bem como ações mais complexas, como andar e falar.

Tronco cerebral - O tronco cerebral liga o encéfalo à espinal medula. Controla a fome, a sede, a respiração, a temperatura corporal, a pressão arterial e outras funções básicas do corpo.

SEGUNDO MAIS FREQUENTE NAS CRIANÇAS

Os tumores cerebrais são o segundo tipo de cancro mais frequente nas crianças. A leucemia lidera o pódio: é o cancro mais frequente na infância. Segundo os médicos especialistas, os tumores cerebrais são mais frequentes em crianças com menos de oito anos.

ANTECEDENTES FAMILIARES SÃO FATORES DE RISCO

Antecedentes familiares são um dos fatores de risco associados a uma probabilidade acrescida de desenvolver um tumor cerebral primário. As pessoas com familiares com gliomas podem ter maior probabilidade de ter esta doença.

JOVEM LUTA CONTRA TUMOR

Fábio Paredes, de 24 anos, luta contra um tumor no cérebro, inoperável, diagnosticado em julho do ano passado. Desequilíbrios, falta de força, flashes de luz no olho esquerdo e cansaço foram alguns dos sintomas. "Os médicos disseram logo que era grave. Depois de tratamentos de quimioterapia e radioterapia, disseram-nos que havia pouco mais a fazer", refere o pai, Artur.

A vida do jovem, residente na Amadora, mudou em poucos meses. "O meu filho não fala, não come sozinho e está preso a uma cama", lamenta Artur. A família levou o jovem à Alemanha para tratamentos. Mas nem tudo foi como esperado. "Ele foi internado em março devido a uma hemorragia cerebral. O médico deu-lhe horas de vida e disse que já não havia nada a fazer. Certo é que ele ainda está cá", conta Artur. O jovem espera por uma ressonância magnética para avaliar o estado de saúde.

tumor cerebral grave é fatal
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