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Correio da Manhã

Sociedade
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Musectomia. Tumores do cólon e reto removidos sem cirurgia

Anestesia minimiza desconforto dos pacientes, que podem ter alta ao final de um dia.
Cláudia Borges Monteiro e Edgar Nascimento 8 de Abril de 2018 às 01:30
Mucosectomia endoscópica
Mucosectomia endoscópica
Mucosectomia endoscópica
Mucosectomia endoscópica
Nair Cleto
Paulo Ribeiro
Exercício físico
Alimentação saudável
Alimentação saudável
Hospital
Mucosectomia endoscópica
Mucosectomia endoscópica
Mucosectomia endoscópica
Mucosectomia endoscópica
Nair Cleto
Paulo Ribeiro
Exercício físico
Alimentação saudável
Alimentação saudável
Hospital
Mucosectomia endoscópica
Mucosectomia endoscópica
Mucosectomia endoscópica
Mucosectomia endoscópica
Nair Cleto
Paulo Ribeiro
Exercício físico
Alimentação saudável
Alimentação saudável
Hospital
Mucosectomia Endoscópica é uma técnica recente em Portugal, que permite remover lesões gastrointestinais. "Esta técnica permite tratar tumores de grandes dimensões por endoscópio e o doente não tem de recorrer a cirurgia", explica Paulo Ribeiro, médico e coordenador da Unidade de Endoscopia no Hospital SAMS, em Lisboa. O especialista trouxe a inovação do Japão, onde esteve em estágio durante um mês em 2013.

O tratamento é simples e o doente não tem dor, sendo usada anestesia para evitar desconforto ao paciente. Após um dia, o doente pode voltar para casa, "nas suas condições normais", garante o especialista.

Paulo Ribeiro já tratou vários doentes com cancro do cólon e reto e assegura que este tratamento é tão eficaz quanto a cirurgia, com uma recuperação mais fácil.

Se o problema do paciente for detetado a tempo "permite, a pessoas que tenham alguma lesão, que esta seja removida sem que nunca chegue a ter um tumor. Esta é a grande vantagem", explica o médico do Hospital SAMS.

O clínico acrescenta que a alimentação é um fator importante quer na prevenção quer na recuperação e melhoria do paciente, tendo a dieta de ser definida caso a caso.

Fruta e vegetais previnem o surgimento de cancro
Uma dieta equilibrada, rica em fibra, que inclua fruta e vegetais, a prática de exercício regular, e evitar o excesso de calorias de gordura animal, são as regras básicas para prevenir o cancro do cólon e do reto. Esta doença inicia-se, na maioria dos casos, com uma alteração celular do interior da parede intestinal: através da multiplicação celular desorganizada forma-se um pequeno tumor benigno - pólipo. À medida que os pólipos aumentam de dimensão podem tornar-se em tumores malignos.

Estudos clínicos comprovaram que a dieta rica em gorduras, açúcar, carnes vermelhas e carnes processadas, o consumo em excesso de bebidas alcoólicas,  o tabagismo e o sedentarismo são fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver a doença. Os rastreios são também fundamentais, pois quanto mais cedo for a doença detetada, mais fácil é o tratamento. "Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, fazer uma colonoscopia é bastante simples", afirma Paulo Ribeiro, médico. Os rastreios devem ser realizados a partir dos 50 anos.

Lesão é elevada com solução salina
A Mucosectomia permite a remoção de lesões gastrointestinais nas camadas superficiais da parede do tubo digestivo. Consiste na injeção de uma solução salina sob a lesão que deve ser removida, de forma a elevá-la e interpor um meio protetor entre a mucosa e a parede muscular, atenuando o efeito desnaturalizador do calor sobre a parede do órgão. Posteriormente, é retirada a lesão.

Discurso direto
Paulo Ribeiro, da Unid. Endoscopia Hospital SAMS

- Qual é a taxa de sucesso da Mucosectomia?
Paulo Ribeiro - A taxa de sucesso é muito alta, embora em alguns casos, quando os doentes chegam tardiamente e as lesões já estão num nível muito elevado, é necessário fazer uma cirurgia posterior. Mas maioritariamente os doentes ficam tratados e sem quaisquer lesões.
- Em que situações não pode ser aplicada?
- Pode ser aplicada em quase todas as pessoas. O público-alvo são os doentes com tumores de grandes dimensões. Fazem o exame e, em condições normais, têm alta ao fim de um dia.
- Quantos doentes já tratou?
- Cerca de 30 pacientes por ano.

Conselho da semana
Exercício físico para manter o peso adequado a cada pessoa, e uma alimentação rica em legumes e fruta, é essencial para evitar cancro do cólon e reto. Os rastreios são também bastante importantes, tanto em homens como em mulheres, e devem ser feitos a partir dos 50 anos. A colonoscopia é um exame simples e com a utilização de sedativo não provoca dor, garantem os especialistas.

O meu caso
"Foi ótimo, estou a cem por cento"
Nair Augusta Cleto, enfermeira, só decidiu fazer o rastreio aos 70 anos, quando soube do seu problema. A paciente tinha uma lesão (pólipo) com quatro centímetros e foi tratada através da Mucosectomia Endoscópica. "O tratamento foi ótimo, não tive de ser cortada", conta.

A enfermeira garante que se sente em bom estado. "Estou a 100%", diz. No entanto, arrepende-se de não ter feito o rastreio há mais tempo.

Primeiros socorros
O que são os CODU
Os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) são centrais de emergência médica responsáveis pela medicalização do Número Europeu de Emergência - 112. Os pedidos de socorro efetuados através do 112, que digam respeito a situações de emergência médica, são transferidos para os CODU (Lisboa, Porto ou Coimbra). Compete aos CODU atender e avaliar no mais curto espaço de tempo os pedidos de socorro, com o objetivo de determinar os recursos necessários e adequados a cada caso. O funcionamento é assegurado, 24 horas/dia, por equipas de profissionais qualificados (médicos e Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar) com formação para atendimento, triagem, aconselhamento, seleção e envio de meios de socorro.
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