Decisão foi tomada após uma associação de transportadores ter criticado uma "nova redução unilateral das tarifas".
A Uber Portugal disse esta sexta-feira que não efetuou qualquer "redução indiscriminada das tarifas", mas que ajusta pontualmente as suas componentes segundo o mercado, após uma associação de transportadores ter criticado uma "nova redução unilateral das tarifas".
"A Uber não procedeu a qualquer redução indiscriminada das tarifas. Efetuamos aumentos e reduções pontuais nas diferentes componentes de tarifas sempre que as condições de mercado assim o exijam, com frequência ao longo de todo o ano", afirmou fonte oficial da empresa de serviços de transporte através de aplicações eletrónicas.
A Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) enviou esta sexta-feira uma carta à Uber Portugal manifestando a sua "absoluta indignação pela nova redução unilateral das tarifas" pela plataforma.
A Uber estranhou que "a APTAD tenha, mais uma vez, optado por enviar uma carta aberta para os meios de comunicação social em vez de a dirigir" à própria empresa, acrescentando que não recebeu "qualquer carta" da associação "sobre este tema".
"Cada dia da semana, horário do dia, zona do país é diferente e revisto de forma independente, com o objetivo de maximizar o rendimento dos motoristas, garantindo o equilíbrio entre oferta e procura, um fator essencial para que existam viagens disponíveis e rendimentos sustentáveis", justificou a plataforma, numa reação enviada à Lusa.
A fonte da Uber salientou que os rendimentos através da plataforma "têm vindo a aumentar" e, em 2025, "permitirá que motoristas, estafetas, operadores e comerciantes aufiram rendimentos superiores a mil milhões de euros".
"Aumentar preços não é sinónimo de aumento de rendimentos, sendo crítico o permanente equilíbrio entre oferta e procura e o crescimento da procura, hoje acima do crescimento da oferta", esclareceu.
Além disso, a plataforma assegurou que "toda a informação sobre as tarifas em vigor", assim como "relacionada com cada pedido de viagem (valor líquido, distância para a recolha, distância da viagem, tempo previsto, moradas de recolha e entrega), é sempre apresentada de forma transparente aos motoristas", para poderem aceitar ou rejeitar cada serviço, "sem qualquer penalização".
A Uber referiu que "ouve regularmente motoristas e operadores TVDE [sigla para transporte em viaturas descaracterizadas através de plataformas eletrónicas] para melhorar a sua experiência, reunindo frequentemente com vários parceiros do setor", e que está disponível para voltar a reunir-se com a APTAD.
Numa carta a que a Lusa teve acesso, o presidente da APTAD, Ivo Fernandes, referiu que a decisão tomada pela Uber Portugal, "com o quilómetro a descer para 0,52Euro e o minuto a manter-se nos inaceitáveis 0,08Euro" é "irresponsável, injustificável e revela um total desprezo pelos motoristas e operadores que asseguram diariamente o serviço".
Na semana passada, a Uber e o Sindicato Nacional da Indústria e Energia (Sindel) assinaram um memorando de entendimento que define um novo modelo de trabalho através de plataformas digitais, com proteções adaptadas à realidade desses trabalhadores.
O memorando estabelece ainda que a Uber garantirá que nenhum estafeta ou motorista que opte por ser representado pelo Sindel "irá receber um rendimento inferior ao salário mínimo nacional durante os períodos em que estiverem a prestar serviços através das suas plataformas, independentemente dos preços praticados junto dos consumidores".
Ivo Fernandes questiona que sentido faz baixar "ainda mais os preços", depois do anúncio feito pela Uber há menos de uma semana, "garantindo que começaria a remunerar de acordo com o salário mínimo".
Assim, o responsável exige ao Governo, de forma clara e urgente, que atue "imediatamente na alteração da lei", considerando estar "mais do que demonstrado que a legislação atual dá cobertura total a estas práticas lesivas e deixa motoristas e operadores sem qualquer proteção".
A Associação Nacional Movimento TVDE (ANM-TVDE) também já se manifestou sobre o acordo, lamentando que o Sindel, sindicato que "deveria servir e proteger os trabalhadores das plataformas digitais", tenha escolhido agir "como intermediário comercial" da Uber.
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