Departamento de Saúde Pública da ULSRL indica que só deve ser consumida água da rede pública ou engarrafada.
A Unidade de Saúde Local da Região de Leiria (ULSRL) divulgou esta quarta-feira recomendações à população afetada pela tempestade Kristin relativamente a cuidados a ter com o consumo de água e alimentação, assim como conselhos de segurança pessoal.
Num comunicado, o Departamento de Saúde Pública da ULSRL indica, entre outros conselhos, que só deve ser consumida água da rede pública ou engarrafada, que os geradores ou os fogareiros não devem ser usados em espaços fechados, que deve ser evitado subir a telhados sem medidas extras de segurança e alerta que manusear telhas com amianto é perigoso para a saúde respiratória.
Quanto à água, nas zonas já abastecidas, esta é considerada segura para consumo humano e está a ser monitorizada pelas autoridades oficiais, o que pode não acontecer com água de outras proveniências.
"Não beba, não lave alimentos, nem escove os dentes com água proveniente de fontes não ligadas à rede pública, salvo confirmação oficial da sua segurança", refere a ULSRL, salientando que "é desaconselhado o consumo de água proveniente de fontanários não ligados à rede pública ou de poços não vigiados em termos de qualidade".
A ULSRL salienta que há situações em que a água pode voltar com alguma turvação quando reposta em canalizações que estiveram sem fornecimento, aconselhando que se deixem as torneiras a correr, até que o líquido se apresente incolor, antes de o consumir.
Em caso de dúvida, ou quando ainda não foi reposta a água da rede, deve usar-se água engarrafada. Quando não exista água da rede ou engarrafada, deve ser fervida durante 10 minutos antes do consumo.
Relativamente ao saneamento, não devem ser despejadas águas residuais (nomeadamente com produtos de limpeza) em solos, ribeiros ou linhas de água e o lixo doméstico e os resíduos sanitários devem ser afastados de fontes de água.
A ULSRL aconselha ainda que as mãos devem ser bem lavadas antes de manusear alimentos, que devem ser bem avaliados antes do consumo.
"Não consuma alimentos com alterações de cheiro, cor, textura ou consistência. Caso não disponha de alimentos ou água potável, procure apoio junto de vizinhos, junta de freguesia, proteção civil, profissionais de saúde ou forças de segurança", salienta.
Os geradores, grelhadores ou fogareiros nunca devem ser usados em espaços fechados ou mal ventilados (habitações, garagens ou caves), "devido ao risco potencialmente fatal de intoxicação por monóxido de carbono, uma emergência médica grave".
A ULSRL lembra também que os aparelhos elétricos não devem ser ligados enquanto existir água acumulada no interior da habitação ou junto aos equipamentos, assim como não se deve tocar em fios elétricos caídos ou remover estruturas em contacto com estes.
Para iluminação, devem ser evitadas velas, devido ao risco acrescido de incêndio, e ser utilizadas lanternas ou iluminação a pilhas.
Em questões de segurança pessoal, é recomendado que os cidadãos evitem circular ou permanecer em encostas, taludes, terrenos inclinados, áreas com solos saturados pela chuva e com fendas, devido ao risco de deslizamentos de terra, assim como junto a muros inclinados, em zonas com histórico de instabilidade, com queda de pedras ou árvores.
"Evite subir a telhados, salvo em caso de necessidade imperativa, adotando todas as medidas de segurança para prevenção de quedas", realça a ULSRL, aconselhando que se sigam as orientações das autoridades competentes.
Durante os trabalhos de limpeza e de reconstrução deve ser evitado o manuseamento de telhas ou placas antigas de fibrocimento (amianto), "comuns em habitações anteriores a 2005, uma vez que a sua fragmentação liberta poeiras perigosas para a saúde respiratória".
"Não quebre, corte ou varra estes materiais e afaste pessoas e animais. Sempre que possível, recorra a profissionais especializados", acrescenta.
Nos trabalhos de remoção de destroços devem ser utilizadas luvas resistentes, botas impermeáveis ou de borracha e a vigilância das crianças deve ser reforçada, devido à presença de entulho, telhas partidas, metais ou vidros.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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