Mulher está em décimo lugar na lista de habitação social, mas ainda no dia 10, quando teve o último encontro com a Segurança Social, lhe disseram que tem de continuar a procurar casa.
Um ano depois de ter denunciado a sua situação, Ana Paula dos Santos, agora com quatro filhos, continua a viver num centro de alojamento de emergência social e à espera de uma habitação em Loures.
Na altura grávida, Ana Paula dos Santos deu uma entrevista à Lusa a 14 de março de 2025 para dizer que temia que lhe tirassem o filho que estava prestes a ter, porque vivia numa pensão da Segurança Social, em razão de ter sido alvo de despejo.
Há dez anos em Portugal, esta mulher são-tomense, de 39 anos, já foi inquilina de papel passado. Por uma casa pequena, com baratas e humidade, pagava 410 euros, quase metade do salário mínimo que recebe enquanto auxiliar efetiva num lar de idosos.
Mas depois a renda aumentou e tornou-se incomportável, acabando por se juntar a pessoas conhecidas que vivem no Talude Militar, bairro autoconstruído no concelho de Loures, onde a câmara local tem feito demolições e despejos regulares.
O caso teve repercussão e Ana Paula dos Santos, já com o filho recém-nascido, foi acolhida numa pensão da Segurança Social, durante alguns meses.
Em setembro, foi realojada num centro de alojamento de emergência social, onde atualmente vive com as filhas, de 20, 11 e 6 anos, e o filho de quase um ano.
"Estamos todos num quarto, a alimentação é-nos dada e as casas de banho são partilhadas", relatou à Lusa, adiantando que continua na lista de espera para uma habitação social em Loures.
"Ela não tem qualquer possibilidade de arranjar uma casa no mercado e, portanto, está inscrita na habitação social de Loures e está a aguardar. Entretanto, continuam, volta e meia, as pressões para ela se despachar a arranjar uma casa por ela", denuncia Maria João Costa, da associação Habita, que tem acompanhado o caso.
"Teoricamente ela ficaria no centro de emergência por muito pouco tempo, mas, como toda a gente sabe, menos a Segurança Social, não é possível arranjar casa para um orçamento de salário mínimo", situa, criticando "a pressão" exercida sobre Ana Paula.
"Não há ninguém mais interessado em deixar o centro de emergência do que a própria família", ressalva Maria João Costa, notando que esse tipo de espaços "não tem condições de vida familiar".
A filha maior está na universidade e as duas filhas menores continuam a estudar em escolas de Loures, para onde Ana Paula mantém a esperança de regressar.
Está em décimo lugar na lista de habitação social, mas ainda no dia 10, quando teve o último encontro com a Segurança Social, lhe disseram que tem de continuar a procurar casa.
"Pelos nossos cálculos, a comparticipação da segurança social para o centro de emergência há de andar à volta de três mil euros por mês com esta família. Não era mais simples a Câmara de Loures alugar uma casa que subalugava à família por uma renda social e o diferencial ainda podia ir buscá-lo ao Estado central?", questiona Maria João Costa.
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