Relatório divulga que Portugal e a Lituânia, com 73% cada, têm a maior cobertura de campanhas de alerta em casos meteorológicos extremos.
Um quarto dos portugueses dizem já ter sofrido o impacto dos fogos florestais, o que coloca o país como o segundo mais afetado da União Europeia, segundo um relatório esta terça-feira divulgado pela Agência Europeia do Ambiente.
Num inquérito sobre os efeitos das alterações climáticas, os gregos são quem mais se queixa de ter sentido os impactos dos fogos florestais (41%), seguindo-se os portugueses (25%) e os cipriotas (20,%).
O relatório divulga ainda que Portugal e a Lituânia, com 73% cada, têm a maior cobertura de campanhas de alerta em casos meteorológicos extremos.
Juntamente com a Polónia (90% ambos), o país apresenta a maior cobertura de alertas sobre fenómenos climáticos extremos.
O inquérito da Agência Europeia do Ambiente (AEA), feito em 2025, em parceria com a Eurofound, refere que cerca de dois terços das pessoas em Portugal se disseram afetadas por estar demasiado calor para sair à rua (64%).
Seguem-se os portugueses que tiveram demasiado calor em casa (57%) e demasiado calor no local de trabalho ou no estabelecimento de ensino (52%), enquanto apenas 6% dos inquiridos se disseram afetados no acesso a água potável e 8% mencionaram inundações nas suas casas ou edifícios vizinhos.
Em Portugal, 22,% das pessoas têm um seguro para a casa que cobre fenómenos climáticos extremos (40,8% na média da UE, 21% colocaram ou melhoraram a sombra nas suas habitações (49% na UE), 16% isolaram o teto ou paredes (UE 47,6%) e 12% preveniram inundações UE 13,2%), entre as medidas aplicadas.
Quase metade (45%) dos inquiridos em Portugal disse não ter capacidade de aquecer adequadamente a sua casa, sendo a média da UE de 38%.
Em comunicado, o diretor executivo da Eurofound, Ivailo Kalfin, referiu que "as alterações climáticas têm impacto na vida de quatro em cada cinco cidadãos da UE, mas apenas um quarto deles está equipado com instrumentos adequados para lidar com elas".
A diretora-executiva da AEA, Leena Yla-Mononen, referiu, por outro lado, a necessidade de aumentar a aplicação "de medidas de prevenção e preparação para os impactos climáticos", destacando ainda a necessidade de "aumentar a preparação das famílias para lidar com os impactos e garantir que as ações ao nível doméstico sejam acessíveis e socialmente justas, para que ninguém seja deixado para trás".
A Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound) é uma agência da UE cujo papel é disponibilizar informação para ajudar a desenvolver melhores políticas sociais, laborais e de emprego.
A publicação do relatório coincide com a ocorrência, em Portugal, de fenómenos extremos de tempestades.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande (Leiria) anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A UE já manifestou a sua disponibilidade em ajudar Portugal.
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