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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Urgências perdem médicos

Cerca de 500 clínicos gerais vão deixar as Urgências dos hospitais públicos e vão trabalhar como médicos de família nos centros de saúde. O anúncio, feito há dias pela ministra da Saúde, Ana Jorge, na audição na Comissão Parlamentar de Saúde, é criticado pelos colegas dos centros de saúde que têm a especialidade em Medicina Geral e Familiar, ao contrário dos outros.

12 de julho de 2010 às 00:30

"O grupo de profissionais sem a especialidade de Medicina Geral e Familiar poderá fazer essa formação, um upgrade que dará equivalência para integrar as Unidades de Saúde Familiares", explicou a ministra.

Esses médicos poderão vir a integrar os centros de saúde mais carenciados do País, localizados nos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém, onde faltam cerca de 200 profissionais.

A medida anunciada por Ana Jorge pretende colmatar a falta de médicos de família nos centros de saúde, afectada pela saída de 110 profissionais entre 2002 e 2007, para o sector privado, e pelo aumento da população residente em cerca de 80 mil pessoas nesse período de cinco anos, que implicaria um reforço de 53 profissionais.

Rui Nogueira, vi-ce-presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral (APMCG), porém, critica a medida anunciada pela ministra da Saúde.

"A situação dos cerca de 500 clínicos gerais sem especialidade arrasta-se desde a década de 80. São profissionais que fazem Urgências nos hospitais e muitos são contratados em regime de prestação de serviço por empresas. A formação da especialidade demora quatro anos e não está correcto se pretendem abreviar essa formação e integrá-los nos centros de saúde, em vez dos recém-especialistas", diz o médico.

A solução passa por, segundo Rui Nogueira, "melhorar as condições de trabalho das centenas de médicos que pediram este ano a reforma antecipada e garantir as condições de reforma, para assim evitar a saída das unidades de saúde".

APONTAMENTOS

UM MILHÃO SEM MÉDICO

Cada médico de família tem uma lista de 1500 utentes. A saída de clínicos para o privado, a par da saída para a reforma, pode levar a que um milhão de portugueses fique sem médico de família.

PERDA DE MÉDICOS

Lisboa, Setúbal e Santarém tiveram um aumento de 80 mil residentes de 2002 a 2007 (3470 mil para 3550 mil pessoas). Esse aumento devia ser acompanhado por mais 53 médicos de família, o que não aconteceu. Perderam 110 especialistas.

REFORMA ANTECIPADA

Cerca de 600 clínicos, na maioria médicos de família, pediram, no início do ano, a reforma antecipada para evitar a alteração das regras da aposentação.

SALÁRIOS BAIXOS

Os recém-especialistas estão a ser contratados como prestadores de serviços. Os de medicina geral queixam-se de salários abaixo da tabela e ponderam outras soluções para a carreira.

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