Desde o início de janeiro, foram já registadas pelo menos quatro anomalias, uma das quais na terça-feira na infraestrutura ferroviária.
A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul pediu esclarecimentos ao Governo e à Fertagus sobre as novas carruagens previstas para reforçar o serviço e quais as medidas tomadas face aos "graves atrasos na circulação dos comboios".
Em comunicado divulgado esta quarta-feira, a Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul (CUMTS) explica que, em setembro, foi avançada uma informação de que terão sido adquiridas duas carruagens à operadora espanhola Renfe e que estava a ser equacionada a aquisição de outras duas à mesma empresa.
Esta informação foi noticiada pelo jornal Público em 20 de setembro com a indicação de que a Fertagus tinha comprado comboios à Renfe para reforçar a sua frota e que "as duas primeiras carruagens chegariam a Portugal em outubro".
A CUMTS quer agora saber junto do Governo e da empresa sobre as carruagens anunciadas, "face à urgente necessidade de reforço da oferta, atendendo à situação caótica que se vive hoje, com composições constantemente sobrelotadas".
"Os utentes querem saber se estas medidas sempre se concretizaram e qual o calendário previsto para entrarem ao serviço", afirma a comissão no comunicado, indicando que as questões foram dirigidas na terça-feira quer ao Governo quer à administração da Fertagus.
Embora considere que estas aquisições poderiam ter algum impacto "no desafogar das horas de ponta", a comissão de utentes adverte que a medida "mais não será que um penso rápido", defendendo que seria necessário "um verdadeiro reforço de oferta, com o encurtar do intervalo para os 5 ou 6 minutos entre comboios em hora de ponta, sempre com composições duplas".
"A Comissão de Utentes aguarda resposta, mas aguarda principalmente a entrada ao serviço das novas carruagens e a tomada de medidas estruturais, pela empresa e pelo governo, que respondam efetivamente ao aumento da procura que se tem verificado nos últimos anos e garantam as condições de segurança dos utentes durante as viagens", sustenta.
Além desta questão, os utentes questionaram ainda a administração sobre a tomada de medidas em termos de manutenção, face às situações ocorridas recentemente, que implicaram a imobilização das composições e graves atrasos na circulação dos comboios.
Desde o início de janeiro, foram já registadas pelo menos quatro anomalias, uma das quais na terça-feira na infraestrutura ferroviária.
Também na terça-feira, o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, classificou como "desumana" a forma como os passageiros viajam nos comboios da Fertagus e exigiu do Governo e da empresa a tomada de medidas urgentes.
Paulo Silva realizou uma viagem entre Foros de Amora e Corroios, estações ferroviárias situadas no concelho do Seixal, tal como já o fez há um ano face a constrangimentos então verificados.
"O comboio chegou com 20 minutos de atraso e completamente cheio à estação de Foros de Amora e sem quaisquer condições de conforto. É quase desumano ir trabalhar nestas condições", disse o autarca, adiantando que iria pedir reuniões com a Fertagus e com o Governo para expor o problema, defendendo que a solução passa pela aquisição de mais carruagens e de mais comboios para aumentar a capacidade de oferta.
Devido aos sucessivos constrangimentos registados, foi lançada no início de janeiro uma petição 'online', à qual a comissão de utentes se associou, a exigir uma urgente melhoria do serviço ferroviário da Fertagus, que liga Lisboa e Setúbal, e o fim dos atrasos e supressões que os utentes referem estar a ocorrer.
Atualmente, a petição tem 5.442 assinantes que se manifestam preocupados com a mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa, denunciando "a degradação contínua do serviço prestado pela Fertagus, traduzida em atrasos frequentes, supressões de comboios, sobrelotação e falhas graves na informação aos passageiros".
Segundo os peticionários, que querem ver o assunto debatido no parlamento e cujo pedido de audiência já foi formulado, estas situações ocorrem de forma repetida e sistemática, afetando milhares de trabalhadores, estudantes e famílias, e causando prejuízos profissionais, económicos e pessoais.
A Fertagus é a empresa que detém a concessão do transporte ferroviário de passageiros no denominado eixo norte-sul, que inclui a travessia da Ponte 25 de Abril, ligando os distritos de Lisboa e Setúbal, com 14 estações.
Dez estações situam-se na margem sul do Tejo (Setúbal, Palmela, Venda do Alcaide, Pinhal Novo, Penalva, Coina, Fogueteiro, Foros de Amora, Corroios e Pragal) e quatro na margem norte (Campolide, Sete Rios, Entrecampos e Roma-Areeiro).
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