"Em Viana do Castelo, caminha-se para o retrocesso", dizem os utentes em carta enviada a Eduardo Vítor Rodrigues.
Os utentes da carreira expresso que liga diariamente Viana do Castelo e Porto pela A28 pedem ajuda ao presidente da Área Metropolitana do Porto para ajudar a encontrar uma solução para o aumento no custo mensal das deslocações para os utilizadores regulares. Numa carta aberta a Eduardo Vítor Rodrigues, indicam que "a gestão em curso tende a agravar as desigualdades" e consideram que, "em Viana do Castelo, caminha-se para o retrocesso".
Os utentes escrevem que em janeiro do ano passado pagavam 88 euros e, agora, as deslocações ficam por mais de 200 euros mensais. Referem que, desde 2019, têm solicitado a implementação de um passe único multimodal e que ficaram dependentes do apoio do município de Viana do Castelo. "Dos 333 cartões emitidos no início do passado ano pela Câmara de Viana, conforme declarações públicas recentemente proferidas pelo Sr. Presidente, Eng. Luís Nobre, no presente mês, cumprindo o 'regulamento' da Câmara de Viana do Castelo e em resultado do corte do apoio, não serão mais de uma dezena de utilizadores. As pessoas não sabem o que fazer", acrescentam.
Na carta aberta afirmam que "a excecionalidade a que esta população foi deixada resulta da exceção em que o Alto Minho se tornou perante a 'normalidade' de todo o país, onde prosperam os passes únicos, mobilidade coletiva, sustentada, ativa, partilhada e acessível a 'todas' as pessoas". Assim, pedem que o presidente da Área Metropolitana do Porto ajude a encontrar uma solução excecional que o corte do apoio da Câmara de Viana do Castelo provocou, ajude a promover o mais rapidamente possível a reunião entre a Área Metropolitana do Porto, a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho e a Comunidade Intermunicipal do Cávado. e colocar em prática o passe único para o transporte público entre o Alto Minho e o Grande Porto. Pedem ainda que Eduardo Vítor Rodrigues se disponibilize para reunir com os representantes dos utentes. "Numa altura em que o país vai a votos, momento propício à realização de balanços, faz todo o sentido perguntar o que andaram a fazer os nossos representantes nestes anos todos", concluem.
A 5 de janeiro, questionada pelo Correio da Manhã, a vereadora da Mobilidade de Viana do Castelo recordou que foi a Área Metropolitana do Porto que extinguiu a carreira que existia para ligação à Invicta e indicou que, no ano passado, o apoio para que cada utente pagasse dois euros por viagem foi decidido "com urgência para tentar resolver a situação sem grandes cálculos ou pensamentos". No final de 2023, o município decidiu atribuir um desconto de 40% nos bilhetes da ligação Viana-Porto. "Quisemos ser coerentes com um desconto igual ao que é atribuído aos transportes municipais", refere Fabíola Oliveira. Ainda assim, relembra que a competência nos transportes regionais e entre distritos não pertence à autarquia, mas antes às comunidades intermunicipais (CIM) e ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).
Igualmente questionado pelo Correio da Manhã, o IMT indica que "não foi emitida pelo Instituto da Mobilidade e dos transportes (IMT) qualquer autorização expresso para essa linha, quer seja à empresa Auto Viação do Minho ou a qualquer outra empresa" e, "dado que o transporte não se trata de um expresso, o IMT não tem qualquer intervenção no processo". Quanto à questão dos preços, lembra que "a lei liberalizou os preços dos serviços de transporte de passageiros, sendo que as únicas entidades que poderão apresentar oposição às tabelas de preços apresentadas pelas transportadoras são a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e as Autoridades de Transporte Municipais.
Há uma semana, a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho revelou que aguarda uma resposta da Área Metropolitana do Porto ao pedido de reunião para avaliar a possibilidade de criar um passe de transporte público rodoviário até ao Porto.
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