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Correio da Manhã

Sociedade
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Vacina e rastreio ajudam a prevenir casos de cancro no útero

Infeção pelo Vírus do Papiloma Humano é o principal fator de risco.
Miguel Balança 10 de Fevereiro de 2019 às 01:30
Vacina e rastreio ajudam a prevenir casos de cancro no útero
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Causado pela infeção persistente - e silenciosa - do Vírus do Papiloma Humano (HPV), o cancro do colo do útero é responsável pela morte de uma mulher a cada dia. Pode ser prevenido: a vacina inserida no Programa Nacional de Vacinação (PNV) confere uma percentagem de proteção de 90%. Portugal regista uma taxa de cobertura vacinal acima dos 85%.

"Embora seja entusiasmante, há ainda muitos mitos a serem ultrapassados", alerta a Consultora de Ginecologia e Obstetrícia, Maria Augusta Rebordão.

Não se comprovam os efeitos alarmistas e secundários da vacinação e - segundo a especialista - "pode e deve" tomar mesmo quem já tenha iniciado a vida sexual. E acrescenta: o uso do método pode mesmo ser benéfico quando já é notória uma lesão decorrente da infeção - contacte o seu médico.

Estima-se que 75 a 80 por cento da população sexualmente ativa já tenha estado em contacto com o vírus do HPV. "Infelizmente, pode não dar sintomas", refere a especialista, recomendando às mulheres que fiquem alerta com o aparecimento de verrugas e úlceras na vagina - ou à volta - e relate ao seu médico de família perdas de sangue pelo ânus.

"Vacina foi testada e é eficaz", diz Maria A. Rebordão, ginecologista e obstetra
CM: A cobertura vacinal reflete-se no número de casos diagnosticados?
Maria Augusta Rebordão -
Apesar de um PNV bem implementado e sucedido constitui uma forma altamente eficaz de prevenção primária do cancro do colo do útero e de outras doenças associadas à infeção por HPV. Há que lembrar que é uma doença de progressão lenta, pelo que os resultados reais da vacinação só serão possíveis de observar nas próximas décadas.

CM – Assim, vacinar é eficaz?
Maria Augusta Rebordão –
Em 99% dos cancros do colo do útero está presente algum tipo de HPV de alto risco, bem como, em diferentes percentagens, no cancro do ânus e da vulva. Para os tipos de HPV mais frequentemente implicados - não para todos - já existe uma vacina testada, com eficácia e sem efeitos secundários [para além dos comuns ao método].

Pediatras recomendam a inclusão dos rapazes
No homem, o único sinal será a presença de verrugas genitais, o mesmo tipo de sintomas referentes ao ânus e às lesões da cabeça e pescoço, como nas mulheres. "O homem assume no contágio o mesmo papel da mulher. Não só transmite a doença como pode, caso esta se torne persistente, contrair uma lesão pré-maligna que, se não for tratada, pode evoluir para maligna (cancro do pénis, ânus e orofaringe)", afirma Maria Augusta Rebordão.

O HPV provoca o aparecimento de verrugas genitais. A manifestação agressiva justifica que seja "altamente benéfico alargar a vacinação aos rapazes", assegura a especialista.

O Plano Nacional de Vacinação (PNV) não prevê, contudo, a comparticipação da terapêutica nos rapazes. A inclusão - assim como das vacinas da Meningite B e do Rotavírus - está prevista no Orçamento do Estado para 2019. A decisão final será tomada pela ministra da Saúde, Marta Temido, com base no parecer a emitir pela Saúde e Direção-Geral da Saúde (DGS).

A Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica e a Sociedade Portuguesa de Pediatria recomendam, desde o ano passado, a vacinação dos rapazes.

Papanicolau: o velho aliado no despiste
Aconselha-se o despiste 3 anos após o início da vida sexual. O colo do útero deverá ser observado anualmente e submetido a citologia - o reconhecido Papanicolau. As mulheres entre os 25 e os 65 anos constituem o grupo de maior risco, condição pela qual deverá ser avaliado o recurso a despistagem específica - com colheita de sangue - por forma a assegurar uma deteção atempada.

O Dia do Doente Coronário assinala-se a 14 de fevereiro, que é o Dia dos Namorados
É o Dia dos Namorados, é o dia em que se fala de amor, em que se fazem promessas e juras e em que as ternuras e apegos não faltam, "até que a morte nos separe".
Mas todos os anos, nos últimos quatro, para cerca de 7000 portugueses com menos de 45 anos a expressão "até que a morte nos separe" foi verdadeira demais e a doença coronária tem sido o principal responsável.

Não é em vão que se fala dos malefícios do tabaco, não é debalde que se fala do sal, do sedentarismo, da hipertensão arterial, do colesterol, da falta da fruta, dos legumes e das hortícolas na alimentação. É porque sentimos a falta daqueles que tão cedo nos deixaram.

Morrer com menos de 45 anos por doença coronária não "fica bem a ninguém". Não é bom para os que partem, é péssimo para os que ficam porque sabem que se podia evitar toda esta tristeza e toda esta mágoa.
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