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Correio da Manhã

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Vacina Gardasil pode dar febre e desmaios

Reacções alérgicas na pele, febre e desmaios são alguns dos 21 casos de efeitos secundários, 14 dos quais considerados graves, reportados pelos médicos à Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde – Infarmed. Estes são os sintomas provocados pela vacina Gardasil, administrada gratuitamente às adolescentes nos centros de saúde, que protege contra o vírus do papiloma humano (HPV), que causa o cancro do colo do útero.
14 de Fevereiro de 2009 às 00:30
Vacina Gardasil pode dar febre e desmaios
Vacina Gardasil pode dar febre e desmaios FOTO: João Relvas/Lusa

Fonte do Gabinete de Comunicação do Infarmed assegura que nenhuma rapariga necessitou de ficar internada no hospital. A autoridade reafirma a importância da vacinação e não vai, por isso, suspendê-la.

Segundo o CM apurou, o Infarmed ainda não disponibilizou os relatórios científicos sobre "a verdadeira situação de risco da vacinação". A divulgação deverá ser feita em finais de Março.

Fonte do laboratório que produz a vacina, Sanofi Pasteur, afirmou ao CM que todos os casos de reacção adversa notificados eram esperados. "Já foram administradas cerca de 270 mil doses da vacina em Portugal e eram esperadas algumas situações de reacções adversas. Todos os casos notificados estão descritos no folheto informativo."

Apesar dos casos ocorridos com as jovens portuguesas serem na maioria reacções alérgicas, em Espanha há registos de convulsões e de desmaios. Sete adolescentes chegaram mesmo a ser hospitalizadas e a situação está a ser investigada, depois de se ter pensado que o problema estava relacionado com um lote específico da vacina – NH52670 – que não chegou a Portugal.

INFARMED REITERA CONFIANÇA

O Infarmed reitera, em comunicado enviado ao CM, que o perfil de benefício da vacina contra o vírus do papiloma humano "não sofreu alteração". A vacina Gardasil é vendida em Portugal desde Dezembro de 2006 e, até à data, já foram disponibilizadas 268 753 doses, das quais 181 535 foram através do Plano Nacional de Vacinação. Em todo o Mundo foram utilizadas cerca de 40 milhões de doses. A vacina é administrada gratuitamente às raparigas com 13 anos e, e este ano, às de 17 anos.

LUÍS MENDES GRAÇA, MÉDICO OBSTETRA: "NÃO HÁ PRODUTOS ISENTOS DE RISCOS"

Correio da Manhã – A notificação destes casos de efeitos secundários deve suspender a vacinação da Gardasil?

Luís Graça – De modo algum. Faço o seguinte paralelismo, quando surgiu a penicilina – que salvou a vida de dezenas de milhões de pessoas em todo o Mundo devido às infecções – também provocou reacções adversas em algumas pessoas. Não há produtos isentos de efeitos secundários. Haverá sempre casos notificados de reacções imunológicas.

– Mas esta vacina está há pouco tempo no mercado português, desde 2006...

– Mas antes há um grande recuo de investigação clínica com humanos, desde há 14 anos.

– Os pais das raparigas devem estar confiantes na segurança da vacina, apesar de tudo?

– Claro, apesar desta dúzia de reacções adversas, se estas raparigas não fossem vacinadas, algumas delas iriam ter, muito provavelmente, cancro evitável do útero dentro de 20 ou 30 anos.

– Mantém-se a vantagem da vacinação?

– Sem dúvida, são enormes os benefícios que advêm da vacinação comparativamente com os riscos que as raparigas podem ter.

O VÍRUS DO PAPILOMA HUMANO (HPV)

É um vírus que infecta as áreas genitais femininas e masculinas e qualquer região do corpo, bastando uma lesão na pele ou mucosa. Está associado ao cancro do colo do útero, verrugas e outras doenças genitais e do ânus.

LOCALIZAÇÃO - Cólo do útero, extremidade do útero que liga o corpo do útero à vagina

ATACA - Células do corpo do útero que se desenvolvem anomalias e começam a crescer de forma descontrolada 

COMO É DETECTADO - através de rastreio cujo exame mais comum é o papanicolaou 

COMO SE TRANSMITE - Através do contacto sexual. Estima-se que aproximadamente 70% de pessoas sexualmente activas serão expostas ao Papilomavírus Humano num determinado momento das suas vidas [5-7], frequentemente na adolescência ou na fase de jovens adultos

EXAMES:

Colposcopia - Utilização de um colposcópio para analisar o colo do útero. O colposcópio associa uma luz brilhante a uma lente de aumento para facilitar a visualização do tecido. Não é inserido na vagina. Em geral, a colposcopia realiza-se num consultório médico ou clínica.

Biópsia - o médico recolhe tecido para proceder à pesquisa de células pré-cancerígenas ou cancerígenas. A maioria das biópsias são feitas no consultório médico mediante anestesia local. Posteriormente, o tecido será examinado por microscopia por um patologista.

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