Sentir a cabeça a andar à roda ou ter a impressão de que se está a cair são sensações de vertigem. Este sintoma, acompanhado de zumbidos e de dores de cabeça, reflecte um problema com o ouvido interno e é frequentemente acompanhado de náuseas e vómitos.
Por falta de informação, este quadro clínico desencadeia nas pessoas ataques de pânico e crises de ansiedade por confundirem o seu estado com um acidente vascular cerebral (AVC).
A vertigem, ou síndrome de Ménière, afecta milhares de pessoas. De acordo com Margarida Vargas, responsável pela Consulta da Vertigem do Hospital Amadora-Sintra, "há muitas pessoas que desvalorizam os sintomas. Os idosos, por exemplo, dão quedas e sofrem fracturas porque não sabem explicar o que lhes aconteceu".
O primeiro passo para se chegar a um diagnóstico é saber a história clínica do paciente, que responde a um questionário sobre o tipo de vertigem que sentiu, a frequência com que ocorre e se esteve associado a outros sintomas.
O paciente é tratado com um medicamento ou ajudado com manobras corporais que invertem os efeitos da vertigem. Por exemplo, a vertigem causada pela sensação de cabeça a andar à roda trata-se com o medicamento beta-histina, um princípio activo que é necessário tomar durante um a dois meses. Os casos mais graves, que indicam a presença de tumores não-malignos, terão de ser sujeitos a uma cirurgia.
TONTURA DURA MENOS DE UM MINUTO
As vertigens causadas por movimentos são tratadas com manobras corporais que visam repor no lugar certo os otólitos, partículas que se encontram no interior do ouvido. É a designada vertigem posicional paroxística benigna, e em oitenta por cento dos casos tem cura. A vertigem inicia-se subitamente e dura menos de um minuto. A maioria dos episódios é desencadeada por uma mudança da posição da cabeça, e normalmente ocorre quando a pessoa se deita, se levanta ou se vira na cama e ainda quando inclina a cabeça para trás para olhar para cima.
INFECÇÃO PODE CAUSAR VERTIGEM
Uma infecção provocada por vírus, como por exemplo uma constipação, pode desencadear vertigens na pessoa, mesmo que passem vários dias desde a sua ocorrência, afirma Margarida Vargas, médica otorrinolaringologista responsável pela Consulta da Vertigem no Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra). Segundo a especialista, as causas mais frequentes das vertigens nos jovens são os traumatismos cranianos, enquanto que os idosos sofrem mais com a vertigem provocada pela mudança de posição da cabeça. Alguns doentes precisam de fazer terapêutica psicológica porque, segundo Margarida Vargas, o "medo de voltar a ter vertigens po-de desenvolver na pessoa quadros de ansiedade e de depressão". Os ataques de pânico podem, de facto, provocar uma nova vertigem.
DISCURSO DIRECTO
"QUALIDADE DE VIDA LIMITADA": Gabão Veiga Director de Serviço Hosp. Amadora-Sintra
Correio da Manhã - A vertigem é um problema dos adultos?
Gabão Veiga - Não, infelizmente as crianças também podem sentir vertigens e recebem igualmente tratamento.
- Quem sente vertigens tem a qualidade de vida limitada?
- Sim, tem a qualidade de vida limitada, sente que o mundo lhe caiu em cima e não tem capacidade para fazer a sua vida normal. Não consegue trabalhar nem fazer mais nada.
- É importante alertar os médicos de família para este problema, uma vez que são a porta de entrada no Serviço Nacional de Saúde?
- Os médicos de família estão sensibilizados para a importância do diagnóstico da vertigem, e há um interesse científico muito grande sobre este problema, situação que levou a que mais de cem médicos quisessem participar no encontro que promovemos na sexta-feira no Hospital Fernando da Fonseca sobre a vertigem.
O MEU CASO: ANA PAULA ALCOBIA
"PENSEI QUE ESTAVA A TER UM AVC"
Na madrugada de 11 de Outubro, Ana Paula Alcobia acordou com um som de apito no ouvido esquerdo. "Vi tudo a andar à roda, tentei levantar-me mas não consegui sair da cama. Senti náuseas e vómitos. Pensei logo que estava a ter um AVC (acidente vascular cerebral). Entrei em pânico. Foi a primeira vez que senti vertigem, e foi horrível. Não quero passar pelo mesmo", conta ao CM.
Duas horas mais tarde, Ana Paula Alcobia entrava na Urgência do Hospital Amadora-Sintra, de cadeira de rodas. A paciente recorda que nos cinco dias seguintes não conseguia ver televisão, ler nem escrever. "Queria concentrar-me e não era capaz. Até a minha caligrafia mudou", sublinha Ana Paula Alcobia, que fez medicação durante quase dois meses e hoje, afirma, faz a sua vida normal. Para evitar a repetição de uma nova vertigem, Ana Paula Alcobia deixou de fumar e de tomar café.
A paciente diz não saber se a nicotina e a cafeína estão relacionadas com o desenvolvimento de uma vertigem, mas, como essas substâncias têm efeitos no cérebro, confessa que não arrisca sequer colocar essa possibilidade.
"O facto de ter andado muito maldisposta e sempre a vomitar nos dias a seguir à vertigem contribuiu para que não voltasse a tocar num cigarro ou num café", lembra Ana Paula Alcobia.
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