ChatGPT quase matou um homem e agora está a ser processado
Conselhos médicos da ferramenta de inteligência artificial da OpenAI quase custaram a vida a Scott Winters.
Ferramentas de inteligência artificial (IA) como o CharGPT estão a ter uma influência cada vez maior nas nossas vidas. Mas é preciso precaução, pois nem sempre são fiáveis. Que o diga Scott Winters, que avançou esta quarta-feira, dia 22, com uma ação judicial contra a OpenAI e o seu CEO, Sam Altman, no Tribunal Superior do Condado de São Francisco, alegando que o chatbot fez recomendações imprecisas que colocaram a sua saúde em risco.
O ex-pastor da Florida diz que os conselhos médicos do ChatGPT o desencorajaram a procurar tratamento para sintomas que precederam uma embolia pulmonar que quase lhe custou a vida. Segundo o The New York Times, Winters argumenta que a ferramenta de IA ultrapassou a linha ténue entre fornecer informações e praticar medicina sem licença, enquanto a OpenAI afirma que o seu chatbot não se destina a substituir médicos. O processo alega que a OpenAI priorizou o envolvimento do utilizador e o lucro em detrimento da segurança pública e que não forneceu salvaguardas adequadas para proteger os utilizadores de seguirem conselhos de saúde inadequados.
Winters e a Tech Justice Law, uma organização sem fins lucrativos que o auxilia na defesa legal, também acusam a OpenAI de explorar as crenças religiosas do ex-pastor.
Em 2025, Winters recorreu ao ChatGPT depois de sofrer tonturas frequentes e pressão arterial irregular. O ChatGPT terá descartado a gravidades de ambos os sintomas e sugerido que ele ficasse em casa a descansar "preso ao sofá", conselho que Winters seguiu, segundo o processo. Algumas semanas depois, em julho de 2025, ele sofreu o que o documento descreve como uma "embolia pulmonar maciça" devido a coágulos sanguíneos que "o levaram quase à morte". Um dos seus médicos chegou a culpar a imobilidade, recomendada pelo ChatGPT, pela embolia.
"Scott Winters quase morreu porque o ChatGPT agiu como uma autoridade médica sem ter qualquer responsabilidade", disse Matthew P. Bergman, advogado fundador do Social Media Victims Law Center, num comunicado. "Se o ChatGPT fosse um médico a dar conselhos, seria culpado de negligência médica."
Drew Pusateri, porta-voz da OpenAI, disse à CBS News que o ChatGPT não foi projetado para substituir um profissional de saúde. "O ChatGPT não é um médico e nunca deve ser usado como substituto para cuidados, diagnósticos ou tratamentos médicos", afirmou em comunicado. Ele observou que é comum as pessoas pesquisarem informações sobre saúde na internet e que "a IA pode melhorar essa experiência, ajudando-as a encontrar respostas mais claras, organizar suas perguntas e se preparar para conversas com profissionais da saúde".
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